Os nossos peludinhos muitas vezes apresentam comportamentos engraçados e até de vez em quando estranhos. Um que sempre me intrigou é que às vezes eles dormem de costas. O de vocês também faz isso?
Bem, fui pesquisar e achei a resposta no livro “Os Cães Sonham? Quase tudo que seu Cão Gostaria que Você Soubesse”, de Stanley Coren, que já recomendei aqui no blog. Segundo o livro, a explicação é bem simples: para se resfriar.
O que acontece é o seguinte, os cachorros têm dificuldade para dissipar o calor quando fica quente demais. Como eles não transpiram, a não ser pela almofada das patas, a única reação deles às altas temperaturas é a respiração ofegante, que esfria um pouco o corpo através da evaporação da umidade da língua, mas esse processo impede o relaxamento necessário para dormir.
Por esse motivo, os peludinhos recorrem a outra estratégia na hora do sono nos dias de calor. O pelo da parte de baixo é consideravelmente mais fino e, às vezes, nem existe. Isso significa que, ao deitar de costas, ele expõe a parte menos protegida do corpo ao ar livre, permitindo que o calor escape mais fácil.
Faz um tempinho que eu não escrevo aqui, né? Então, hoje vou tirar a poeira do blog e explicar como se ensina o comandinho “toca aqui” ou “high five”, como alguns adestradores chamam. Esse comando é muito fofo, depois que você conseguir ensiná-lo ao seu filho cão apresente para sua família e amigos, todos se espantam.
Além de ser bem bonitinho, o “toca aqui” é um comando bacana porque exige mais atenção e desenvoltura do cachorro. Conheço duas maneiras de ensiná-lo, e as duas exigem que o pet já saiba o “senta” (veja como treiná-lo aqui) e melhor ainda se já tiver aprendido o “dá a pata” (veja como treiná-lo aqui).
DJ executando o “toca aqui”e o Toddy admirando *rs*
Se você quiser ensiná-lo a partir do “dá a pata” faça da seguinte maneira: peça o “senta” e, em seguida, o “dá a pata” e recompense com petisco ou carinho. Gradualmente, vá subindo a sua mão e pedindo o “dá a pata” até que ele consiga tocá-la na altura da boca dele, aí o comando já vai ter aparecido naturalmente. Depois é só introduzir a frase “toca aqui”.
A outra maneira, que foi como os meus filhos aprenderam, é posicionando o petisco entre o polegar e o indicador e espalmando na altura da boca dele. Como eles já sabiam o “dá a pata”, institivamente, eles já bateram com a pata na minha mão. Depois que eles tocavam, eu entregava a recompensa. Rapidinho eles aprenderam :-).
Lá no vídeo de cima, eu mostro o Theo fazendo o “toca aqui”. E neste vídeo abaixo, que considero o melhor sobre o tema, um adestrador ensina mais sobre a técnica.
Toddy se preparando para ver o Brasil na Copa (Crédito: Angélica Pinheiro/Meu Filho Cão)
Fogos, rojões, torcedores gritando, cornetas ensurdecedoras formam um pacote completo para deixar os cachorros malucos. E sabe por quê? Porque em relação a determinados sons a audição desses bichos é centenas de vezes melhor do que a nossa.
Esqueça aquela história de que os cães ouvem quatro vezes mais do que os humanos. Na verdade, explica o livro “Os cães sonham?”, para sons entre 65 e 2 mil hertz (Hz), como os que constituem a voz humana, a audição deles e a nossa é praticamente a mesma.
Ocorre que os cachorros conseguem ouvir sons agudos consideravelmente mais altos do que nós. O maior alcance está entre aproximadamente 47 mil e 65 mil Hz. Por isso, os sons das cornetas e vuvuzelas são tão irritantes para eles.
A explicação sobre por que os cães conseguem ouvir melhor sons de alta frequência é interessante e remete ao processo de evolução. Lobos, chacais e raposas costumam atacar ratos, ratazanas e camundongos. Esses animais produzem sons agudos e, ao rasparem nas folhas ao passar, produzem barulho e ruídos de alta frequência. A capacidade de ouvir sons de alta frequência produzidos por essas pequenas criaturas é, portanto, questão de sobrevivência.
Dessensibilização e cuidados – O processo para minimizar o medo de sons altos demanda tempo e alguns exercícios constantes, como expliquei nesse post sobre fogos no Ano Novo.
Mas há alguns cuidados que você podem minimizar o incômodo e garantir a segurança. Um deles pode ser deixar o peludo em um cômodo com o melhor isolamento acústico possível. Feche a porta e a janela e ponha, por exemplo, uma música suave.
Outra coisa, se por causa do medo ele quiser se enfiar debaixo da cama ou da mesa deixe. Cachorros se sentem mais seguros dentro das suas tocas. E tirá-los desses locais pode aumentar a tensão deles.
Certifique-se também que ele não vai conseguir fugir. Por causa do medo, muitos deles tentam fugir em desespero. Então, tome muito cuidado com o entra e sai da sua casa. Por esse motivo também, deixá-lo num cômodo fechado pode ser uma ótima solução.
Para casos mais graves, os veterinários costumam receitar fitoterápicos ou até calmantes. Se você perceber que o peludo fica, por exemplo, com taquicardia nessas situações talvez seja bom consultá-lo.
Agora nunca abrace forte seu cão ou tente confortá-lo de maneira muito enfática, pois essa postura aumenta o medo deles. Digo isso porque já li e por experiência própria. Meu marido costumava confortar a DJ dessa maneira o que só piorava a situação. Se o peludo quiser abrigar nos seus pés ou seu colo deixe, mas nada de abraçar e falar: “Tudo bem, filhinho”.
Na última semana, passei quase quatro dias longe dos meus filhos. Eu afirmo para vocês, adoro viajar, mas ficar longe deles e do meu marido, quando me ausento a trabalho, é muito difícil. Obviamente, sinto o que o português define muito bem como saudade. Mas será que os peludos também compartilham esse sentimento?
Claro, se usarmos como parâmetro a empolgação com que eles nos recebem, certamente, a conclusão é de que sim, eles sentem saudades. Mas sempre tive curiosidade de saber o que a ciência diz sobre isso.
De acordo com o Bernd Heinrich, da Universidade de Vermont, EUA, a espécie evoluiu para se tornar mais que uma subespécie de lobo. Emocionalmente ele está mais para um humano de quatro patas. Na alegria e na tristeza. Alguns se recusam a comer quando o dono vai viajar e voltam a aceitar o prato depois de ouvir a voz de seus pais humanos no telefone. Trata-se de uma forma primitiva de saudade.
É comum vermos casos em que a ausência do dono acaba desencadeando um problema de comportamento, que os treinadores de cães costumam classificar de ansiedade de separação. Sabe aqueles cãezinhos que mal o dono fecha a porta e eles já começam a latir? É um caso típico.
O site da Lord Cão explica que os cachorros são fortemente orientados para viver em grupo. Esse bichinhos tendem a demonstrar uma enorme frustração quando ficam sozinhos, com protestos que vão desde latidos até a destruição da casa.
Os especialistas recomendam que para tentar solucionar o problema, você deve acostumar o peludinho com o rádio ligado enquanto você estiver em casa, assim, quando você for se ausentar e deixar o rádio ligado, ele vai se sentir como se alguém ainda estivesse por perto. Deixe o seu cachorro por pequenos períodos de tempo sozinho. Quando for retirar o lixo, deixe o seu cão do lado de dentro com a porta fechada e observe. Se ele começar a latir diga junto a porta e com uma voz bem firme: não! Espere ele parar de protestar e entre em casa. Faça a maior festa se ele ficar quietinho.
Vá aumentando o tempo e o número de vezes em que você “sai” de casa, sempre repetindo não quando ele latir ou chorar e dando muito carinho quando ele estiver calado.
Leve-o para uma volta antes de você sair e deixe vários brinquedos interessantes para ele se distrair enquanto você está fora. Um bom truque é comprar um destes ossos que são ocos no meio e enchê-los com biscoitos de cachorros ou “bifinhos” próprios para cachorros, ou ainda ração enlatada. Ele vai ficar um bom tempo tentando “pescar” as guloseimas dentro do osso e terá menos tempo para ficar pensando na sua ausência.
A minha volta para casa – Ao verem o vídeo da minha volta para casa, vocês vão notar que eu chamei por eles. Em geral, posso afirmar quase 100% das vezes, não faço isso.
Bom, só explicando, eles ficaram na casa dos meus pais durante quase quatro dias. Como queria potencializar o efeito da minha volta, eu já entrei falando. Claro que, com isso, o pessoal ficou ainda mais, digamos, emocionado. Quando volto de um dia normal de trabalho, não faço isso. Normalmente, o Toddy e o Theo ficam bem empolgados, mas procuro não falar com eles.
Muita gente se espanta quando conto que eu passeio com o Toddy, o Theo e a DJ separadamente. Dois motivos são preponderantes para isso, cada um tem seu ritmo próprio de passeio e acho mais seguro não andar com mais de um ao mesmo tempo.
A DJ, minha perdigueira, gosta de cheirar cada pedacinho da rua, mesmo que já tenha passado por ali um milhão de vezes. Mas, ao contrário do Toddy, não curte longas caminhadas. Para ele, no máximo, 20 minutos já está bom. Quando extrapolamos, ela já fica puxando a guia em direção ao prédio, que ela sabe muito bem onde fica. Além disso, as aproximações, tanto com humanos quanto com cachorros, são mais tensas. Nunca conseguimos detectar se vai ser uma festa ou um apavoro.
Já o Toddy é nosso pastor, como gosta de andar. Por ele, a gente percorre a distância de umas três estações de metrô diariamente. Claro que nem sempre é possível, por causa da correria do dia a dia, mas quando dá andamos bastante para gastar toda “energia que dá gosto”. O Toddão também gosta muito de se socializar. Para ele, fazer uma amizade nova é uma grande alegria, o que torna o passeio com ele muito prazeroso.
O Theo, por sua vez, nos dá muito trabalho na rua. Como já contei nesse post, ele tem muito medo de cachorros estranhos. Ele ainda não melhorou muito. Alterna boas caminhadas com passeios estressantes. Estamos tentando melhorar, mas não é fácil tratar um cachorro medroso.
A importância do passeio – O que muitos pais e mães não saibam ou, infelizmente, negligenciam é que passear regularmente é tão fundamental na rotina dos dogs quanto comida. Como explica um post da escola de treinamento Lord Cão, na natureza os cachorros precisavam caçar para sobreviver, e não era uma tarefa fácil, pois eles passavam mais de 10 horas por dia à procura de comida. Ou seja, sua estrutura física foi feita para longas caminhadas e passar horas farejando.
É durante os passeios que o peludo pode fazer os exercícios necessários para a manutenção da sua saúde, aliviam o estresse, e melhoram sua sociabilidade ao conhecer outros cães e humanos. De quebra, a caminhada ainda melhora a relação com o dono, pois nesse momento os peludos aceitam melhor o treinamento.