O que eu levo nos passeios

Nos passeios, carrego uma pochete com diversos itens.
Nos passeios, carrego uma pochete com diversos itens

 

“Cachorro cansado é cachorro feliz”, diz a treinadora Cláudia Pizzolatto no “Manual do Cachorro”. Eu concordo. E para deixá-los cansados e felizes nada melhor do que passeios diários.

Aprendi que para aproveitar ainda mais esse momento, devemos estar munidos de alguns itens. E como nós mulheres nem sempre vestimos roupa com bolso, decidi usar em todos os passeios um acessório nada fashion, mas muito funcional, uma pochete. Nela, eu carrego:

  • Os essenciais saquinhos plásticos para manter as ruas livres das caquinhas dos meus filhos.
  • Petiscos, que uso em alguns exercícios de obediência, como o senta e o dá a pata, e para recompensá-los por comportamentos corretos.
  • Ossinhos ou uma bolinha, que são os brinquedos favoritos deles e me ajudam a corrigir comportamentos incorretos. Por exemplo, a DJ costuma apresentar agressividade com alguns cães. Quando mostro um osso para ela, todo foco no “inimigo” se perde e coisa mais legal passa a ser o osso.
  • Pet corrector ou bombinhas. Esses acessórios funcionavam como broncas, mas como aprendi que broncas só pioram os comportamentos errados na rua, ainda carrego para afastar algum animal agressivo ou para separar uma possível briga.
  • Às vezes, também levo uma guia longa de 10 metros para deixá-los mais livres num parque próximo à minha casa.

 

Cabe bastante coisa na pochete, né? E ainda fico com as minhas mãos livres para uma melhor movimentação. E vocês levam algum item diferente desses?

Um petisco ‘meio osso’ sensacional

O 'Duro de Roer' no formato coração
O ‘Duro de Roer’ no formato coração

De tudo que existe para enriquecimento ambiental, eu considero, de longe, o osso a melhor opção. Sejam eles mais molinhos, para os cães que não curtem muita dificuldade como o Toddy, ou mais duros, que são os preferidos da minha roedora-mor, DJ.

Então, estou sempre à procura de novidades para os meus filhos cães, e, tempos atrás, encontrei o “Duro de Roer”, da Purina. Sensacional, gente. É um petisco duro, meio osso, em formato cilíndrico, que o Theo, o Toddy e a DJ simplesmente amaram.

Segundo o fabricante, ele tem recheio de sabor carne e é envolto por uma camada para o cão roer. Por enquanto, só encontrei no mercado o “Duro de Roer” no formato coração, que é indicado para cães de portes médio e grande. Mas vi no site da Purina que há uma opção churros, que é própria para cachorros pequenos.

Muito bom, Purina. Recomendado.

Toddy se matando com o petisco
Toddy se matando com o petisco

Brinquedo pet requer cuidado

Brinquedo Anti-estresse da Sanremo
Brinquedo Anti-Stress da Sanremo

Assim como os brinquedos feitos para as crianças, os elaborados para os pets também demnadam cuidado. Na semana passada, fiquei empolgadíssima ao encontrar na Cobasi uma bolinha do tipo dispenser – que solta petiscos aos poucos – por um valor super amigável: R$ 9,99.

Mas, logo ao abrir a embalagem a primeira decepção, descobri que o brinquedo não era de borracha, como eu pensava, e, sim, de plástico duro. Não há nenhuma informação na embalagem do “Brinquedo Anti-Stress” da Sanremo sobre o material. Falha, né? Minha porque comprei sem ter certeza do material e do fabricante porque não informa.

Ok, superável, pensei. Piquei petiscos e Biscrocks do tamanho de um grão médio de ração, fechei o dispenser e dei para os meus lindos. Para o meu espanto, eles rolavam a bolinha, mas não caía um só petisco. Então, repiquei os petiscos em tamanho minúsculo, usei até um ralador. Dessa maneira, eles começaram a cair mais facilmente e os babies se divertiram.

Porém, quando tentei abrir novamente uma das bolas, que já estava meio mordida, não consegui. Dei para o pai deles, e ele também não conseguiu. Ou seja, na primeira brincadeira, um bola já foi perdida. Uma pena. Um brinquedo que não vale a pena comprar.

Gentle Leader, a solução para os passeios

Vamos combinar, não é difícil ver nas ruas filhos cães “levando” pais e mães para passear. Especialmente quando são de porte médio e grande e não adestrados, os fofos costumam mandar mesmo nos passeios.

Eu tive esse problema com dois dos meus quatro filhotes, o Toddy e o Theo, e consegui solucionar usando um tipo de coleira chamada Gentle Leader.

A aparência não é das mais agradáveis, mas a eficiência é 10. Ela funciona como um cabresto para cavalo, controlando a cabeça do cão e, por consequência, o corpo.

O que acontece é que, por conta da sua anatomia, quando o cão puxa, usando esse tipo de coleira, ele automaticamente vira cabeça para trás, em direção ao condutor. Trata-se de um movimento suave, mas que faz com que ele pare de puxar.

Período de adaptação – Para mim, a parte mais chata da Gentle é o período de adaptação. Dificilmente, o pet aceita a colocação dessa coleira logo de cara por causa do anel que fica em volta do focinho.

Então, antes de sair por aí de Gentle, você terá de fazer um pequeno treino. Pegue um petisco e ofereça ao filho cão por dentro do anel que vai no focinho (eu mostro no vídeo). Faça isso algumas vezes para ele ter uma associação positiva com a coleira. Ou seja, ele começa a associar a “chatice” ter de algo em volta do focinho com uma coisa boa, o petisco.

Depois desse treinamento, comece a fechar a coleira no pescoço e depois coloque a guia. Dê umas voltinhas pela casa mesmo para ele se acostumar e só depois vá para a rua. Você vai ver que logo, logo não precisará mais dar o petisco porque a recompensa por usar a coleira será o próprio passeio.

Segundo o fabricante oficial, para ajustar, você deve deixar a tira do focinho solta, enquanto aperta a tira do pescoço. Ela deve fica alta, tocando a base das orelhas e acima do pomo de adão. Ela tem de ficar apertada o suficiente de maneira que não dê para rodá-la. Já o arco que fica em volta da boca deve permanecer bem solto. O cão deverá consiguir abrir a boca para comer, beber água, latir e até morder. Isso é muito importante, a Gentle Leader não é uma focinheira.

Gentle Leader (vermelha) e enforcador
Gentle Leader (vermelha) e enforcador

Um incidente – Como o objetivo do Meu Filho Cão é trocar experiências reais com outros pais e mães e não vender produtos, devo contar que tive um incidente com a Gentle Leader.

Certo dia, quando já estava bem acostumado com a coleira, o Toddy ficou bravo com dois cachorrinhos que latiram muito pra ele e se soltou. Levei um susto, mas não aconteceu nada. Mas desde esse episódio, orientada por uma adestradora, comecei a usar um enforcador associado à Gentle e deu certo.

O enforcador funciona como um item a mais de segurança e usado junto com a Gentle não causa aqueles enforcamentos horrorosos no cão. Bem, pelo menos comigo, nunca aconteceu. Se o cão puxa, automaticamente, ele vira a cabeça por causa da Gentle, então, não é enforcado bruscamente, como ocorre se você usa só o enforcador.

Se vocês derem uma olhada no site do fabricante da Gentle, vão ver que eles têm uma nova coleira que também promete passeios suaves com o filho cão, a Easy Walk. Nunca testei, mas pretendo comprá-la em breve. Quem sabe é uma solução ainda melhor.

A Gentle oficial é vendida no Brasil pelo site www.bitcao.com.br. Só quero alertá-los que comprei as minhas por meio da adestradora e não pelo site. Então, não conheço a eficiência do vendedor. Ah, e há outros fabricantes de coleiras “tipo” Gentle, mas também não sei se são tão boas quanto as oficiais.

 

Cães em apartamento, por que não?

Eu poderia justificar que é possível criar cães pequenos, médios e até grandes em apartamentos com base na minha própria experiência, mas prefiro deixar a palavra para os especialistas. A respeitada RSPCA (Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals), uma organização britânica para o bem-estar animal, publicou um guia sobre o assunto que, na minha opinião, resume tudo o que se deve levar em conta para ter um cachorro em prédios.

Em primeiro lugar, você deve pensar quanto tempo terá disponível para o seu pet. Dois passeios são ideais para manter o cão saudável. Ok, nem todos conseguem, mas, ao menos, um você terá de fazer e compensar com enriquecimento ambiental. Cães sem exercício podem ficar obesos, ter problemas nas articulações, dificuldades respiratórias e por aí vai.

DJ se deliciando com um 'sanduíche' na sala do meu apartamento
DJ se deliciando com um ‘sanduíche’ na sala do meu apartamento

Além disso, são os passeios que promovem a melhor atividade mental para os cachorros. Na rua, eles exercitam a capacidade sensorial, gastam energia e se sociabilizam, ficando assim psicologicamente mais estáveis. Aliás, não são só os pets de apartamento que necessitam de passeios, cães que moram em casas também precisam passear. Animais que não saem às ruas costumam desenvolver distúrbios de comportamento, que podem se revelar em destruição de objetos, aversão a visitas e até depressão.

E eu não estou falando que passear é um dever da boca para fora. Hoje tenho três cães em um apartamento e todos os dias saio com os três, um de cada vez, para passear. Ao todo, dá, tranquilamente, mais de uma hora nessa atividade. E à noite, meu marido faz o mesmo. Trabalhoso? Sim. Mas, para nós, acima de tudo, é prazeroso.

Cachorro tem que brincar para cansar

Outro ponto tão importante quanto os passeios é o enriquecimento ambiental. Isso quer dizer que você tem de dar ao seu filho cão um ambiente desafiador e interessante. Pensa bem, imagina a sua vida sem TV, internet, livros. Chato, né? Pois é, a vida do cão também fica muito tediosa sem um brinquedinho. Mas não adianta dar só uma bolinha, se o cachorro nem de bolinha gosta. O legal é variar: ossinhos, brinquedos desafiadores como as garrafas pet, bichinhos de pelúcia, objetos de borracha, cordinhas, caixas de leite, opções não faltam.

Uma boa dica para deixar a casa ainda mais interessante é espalhar parte da comida diária pela casa. Calma, não estou dizendo para você jogar ração no seu belo sofá. Mas, você pode, por exemplo, colocar duas ou três pequenas porções de comida em cantos alternados. Uma forma de apurar o olfato, fazer um pouco de atividade e se alimentar ao mesmo tempo.

Fazer alguns comandos diariamente também é legal. Para não ter de separar ainda mais tempo, o jeito que eu encontrei foi introduzir os comandos básicos – senta, deita, dá a pata, fica – na rotina. Eles têm de obedecer comandos antes de comer, ganhar brinquedo e ir passear.

Toddy e DJ em um parque perto de casa
Toddy e DJ em um parque perto de casa

Para uma convivência saudável, também é importante delimitar e ensinar onde fazer as necessidades (veja minha experiência com o Toddy). Pode parecer óbvio, mas muitos donos, com o intuito de manter a casa limpa, ensinam o cachorro a fazer xixi e cocô só na rua. É uma armadilha. Imagina se você se atrasa ou se aparece um compromisso de última hora. É justo deixar o bichinho apertado? Claro que não. Fora que segurar muito pode causar doenças.

O jeitinho de cada um

Não existe consenso sobre uma metragem mínima que se deve ter para criar um cão. Como já deu para perceber, o importante é o tempo que o pai e/ou a mãe do cachorro terão para ele. Ou seja, criar um golden retriever num apartamento de 50 m2 é perfeitamente possível, desde que respeitadas as necessidades dele.

Mas algumas características do cão devem ser consideradas, e uma delas é se ele late muito. Essa é um traço comum de algumas raças como pinscher, yorkshire e west highland. Um comportamento que pode até ser minimizado com adestramento, porém que pode dar mais trabalho. Você também deve estar atento ao nível de energia do cão, um border colie vai demandar cinco vezes mais passeios e enriquecimento ambiental do que um pug, por exemplo. Entre meus três viras-latas, posso perceber isso claramente. Enquanto, a DJ fica imensamente satisfeita com uma volta na quadra, o Toddy poderia percorrer o bairro inteiro sem se cansar.