Quer resgatar um cachorro da rua? Saiba o que fazer

Esses dois lindos foram resgatados por mim ni dia 17 de abril.
Esses dois lindos foram resgatados por mim ni dia 17 de abril.

 

Quando decidi escrever esse post, as duas primeiras frases seriam as seguintes: “Eu, como muitas outras pessoas, já resgatei cachorrinhos da rua. No meu caso, os três resgatados passaram a fazer parte da família, são os famosos Theo, Toddy e DJ, que vocês já devem conhecer :-)”, mas…

Acontece que no último domingo (17), quem nos acompanha no Facebook e no Instagram pode conferir que eu e o papito do Theo, do Toddy e da DJ acabamos por retirar da rua mais dois peludinhos, provisoriamente batizados de Paçoca e Pipoca. Os lindos estão em um lar temporário e serão encaminhados para adoção assim que estiverem saudáveis e castrados.

Nesse último resgate que realizei já tinha muitas informações sobre como proceder, afinal foi o quarto que fiz e de lá pra cá meus conhecimentos cachorrísticos *rs* aumentaram bastante. No entanto, quando peguei os três da família Meu Filho Cão admito que agi só com a vontade. Não tinha nenhuma referência sobre a melhor maneira de abordar um cão abandonado, o que fazer após tirá-lo da rua ou mesmo os canais para encaminhá-lo à adoção, se fosse o caso.

Theo, Toddy e DJ também foram retirados das ruas
Theo, Toddy e DJ também foram retirados das ruas

Os três foram retirados das ruas entre 2011 e 2012, quando, vamos admitir,  havia menos informação na internet sobre cachorros, mas mesmo hoje percebo que há muita gente que não sabe como proceder nessa situação. Tem boa vontade, mas tem medo que o cachorro avance na abordagem, por exemplo, ou de não conseguir um adotante.

Por isso, resolvi fazer um post com algumas orientações sobre como agir nessas situações. Claro que as dicas não saíram da minha cabeça, já que não sou especialista. Pedi à nossa querida colunista, a adestradora e consultora comportamental da Cão Cidadão Juliana Nishihashi indicações sobre o resgate e os dias seguintes com o peludinho até que ele ganhe uma família. Também peguei umas dicas no site da World Animal Protection (post na íntegra).

Vamos às recomendações

1 – CUIDADO AO SE APROXIMAR: cães em situação vulnerável, muitas vezes abandonados há tempos e sofrendo maus tratos nas ruas, podem ser muito desconfiados. Mesmo se o cão estiver prostrado ou demonstrando ser dócil, tome cuidado ao se aproximar: observe se ele rosna, se esquiva ou tem postura tensa. O ideal é tentar delicadamente ‘lacá-lo’ com uma coleira tipo enforcador de tecido, que é leve e quase imperceptível. Mas mesmo assim, esteja pronto para alguma relutância do peludo – afinal, ele tem toda razão para desconfiar dos humanos.

2 – RUAS MOVIMENTADAS OU ESTRADAS: se estiver em uma via movimentada, peça ajuda de um amigo ou de quem estiver passando para afastar o animal dos carros. Em estradas você pode pedir ajuda à Polícia Rodoviária, que costuma ter equipamentos para resgatar animais com segurança.

3 – LEVE AO VETERINÁRIO: encaminhe o peludo imediatamente ao veterinário ou deixe temporariamente isolado, se tiver cães em casa. Cães abandonados podem ter doenças visíveis (pulgas, carrapatos, sarna) ou invisíveis (cinomose, parvovirose). O veterinário vai poder auxiliá-lo logo no início a evitar ou lidar com possíveis doenças, além de poder dar a idade estimada do cão (informação que poderá ajudar na adoção futura).

4 – ONDE O CACHORRO VAI FICAR – na sua casa ou outro lar temporário. O ideal é que isso seja pensado antes de retirar o peludo da rua, nada pior do que ter um cão e não ter onde colocá-lo. O lar temporário (LT) não precisa ser chique nem espaçoso – o cão certamente ficará grato só de ter um local seguro e protegido, comida e água fresca. Caminha e alguns brinquedos também são bem vindos, especialmente se o cão resgatado for filhotão. Atenção: ONGs e centros de zoonoses sempre enfrentam superlotação e falta de recursos, ou seja, se você tirou da rua a responsabilidade é sua de encontrar um lar temporário até que o bichinho seja adotado.

5 – CASTRE – quer salvar um cão ou gato? Castre. Tirar um animal da rua resolve um problema, mas a castração previne vários, inclusive a proliferação de animais abandonados, além de prevenir diversas doenças.

6 – NÃO TEM DINHEIRO? – seja criativo, faça uma rifa ou uma “vaquinha“ online, chame seus amigos para ajudar, monte um grupo de “padrinhos” do cão ou gato, procure serviços gratuitos. Há também clínicas que atendem por um custo mais baixo. Como nos hospitais veterinários universitários. Veja aqui uma lista nacional que já publicamos no blog. Nesse outro link há uma relação de clínicas de baixo custo, ligadas a ONGs, em SP.

7 – SERÁ QUE ELE SE PERDEU? – faça contato com ONGs e sites que divulgam cães perdidos. Talvez o peludo tenha fugido de uma casa ou durante um passeio e haja uma família desesperada atrás dele! Aproveite também para deixar fotos com descrição do cão e do local onde ele foi achado nos pet shops das redondezas e locais de alta circulação de pessoas, como padarias, drogarias e bancas de jornais do bairro. Talvez esse cão nem precise passar pelo processo de adoção, e volte direto para casa.

8 – COMPARTILHE NAS REDES – as redes sociais hoje são o melhor canal para encontrar um dono pros peludinhos. Seja no Facebook, Twitter, Instagram ou em sites de adoção. Capriche na foto, no texto fofo e invista na descrição do lindo. Isso aumenta as chances dele de achar um interessado.

9 – PARA FOTOS BACANAS – tente também levá-lo a feiras de adoção e faça uma sessão de fotos, o que pode ajudar no “marketing” do peludo (um app interessante). Ensinar alguns comandinhos básicos também pode facilitar o contato com possíveis adotantes – quem não acha lindo um cachorro dando a patinha?

10 – SEJA RESPONSÁVEL NA ADOÇÃO – não doe para qualquer pessoa. Muita gente acha o animal fofo e adota por impulso, sem se dar conta de que esta é uma responsabilidade de 10 a 20 anos. Se o cão ou gato que você ajudou for morar em um lar onde não é alimentado ou sofre maus-tratos, de que adianta? Portanto, mantenha o contato e deixe claro à família que caso ela não queira mais o animal, que o devolva a você, não o jogue na rua.

Deixe seu comentário!