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Por que os cachorros adoram dar beijo?

O Toddy é de longe meu filho mais beijoqueiro
O Toddy é de longe meu filho mais beijoqueiro

 

A maioria dos dogs adora dar beijo ou bezucão, como curto dizer. Por essa atitude, leia-se aquelas gostosas lambidas que eles dão na nossa boca e rosto. Claro que a primeira avaliação que fazemos desse comportamento é de que se trata de uma demonstração de carinho. Afinal, vamos confessar, a gente adora dar uma humanizada ao avaliar o comportamento dos nossos peludos, mas, na verdade os deliciosos bezucões têm uma explicação científica interessante, que vai além do amor que eles sentem por nós.

Lendo o ótimo livro “Super Interessante – A Mente do seu Cachorro”, da Luiza Sahd, descobri que esse hábito tem origem na ancestralidade dos cães. Estudando os caninos selvagens, os pesquisadores da Universidade da Califórnia descobriram que os filhotes de lobos, coiotes e raposas lambem o focinho das mães quando elas voltam da caçada. Eles fazem isso para provocar náuseas na mommy deles e comerem o que elas regurgitam. Ecaaaa!

Mas, você deve estar se perguntando, o que isso tem a ver com os beijos dos cachorros nos humanos? Ocorre que as nossas bocas são muitos saborosas para os cachorrinhos, assim como os lobos e os próprios humanos, eles possuem receptores de sabores doces, salgados, amargos, azedos e até terrosos. Aliás, entre os gostos mais atraentes estão os doces, que também pode ser explicado pela evolução. É essa sensibilidade que faz os bichos distinguirem uma fruta madura de uma que ainda não pode ser comida.

Outra comportamento interessante que aliás acontece muito aqui em casa é que os danadinhos preferem as bocas que contêm mais sabor. Explico. Eu e o meu marido fumamos, porém ele fuma muito mais do que eu, então, se eles forem escolher uma boca, vão preferir a minha, já que o cigarro tira boa parte do odor natural dos alimentos.

Bezucão do Toddy

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Bezucão do Toddy

Uma explicação adicional é que o bezucão também é uma forma de cumprimento ritualizado. Serve para dizer um “oi” e também para recepcionar um outro cão que volta à casa, e assim descobrir o que o outro andou fazendo na rua. Essa última explicação é muito verdade, o Toddy sempre lambe a boca da DJ quando ela volta dos passeios *rs*. As próprias cadelas também lambem as crias quando ficam longe por algum tempo. Ou seja, em resumo, o peludinho está sim demonstrando que gosta e confia em você quando te beija.

Cuidado com comedouros de plástico

Me recuso a comer nesse pote. Humpf!
Me recuso a comer nesse pote. Humpf!

 

Há algumas semanas, fiquei assustada quando ao voltar de viagem percebi que a DJ estava com hematomas em volta da boca, que haviam provocado a perda de praticamente todos os pelos da região. Inicialmente, pensei que se tratava de efeito colateral da quimioterapia, mas estava errada, na verdade era uma alergia a um novo pote de plástico que havia comprado para ela.

O diagnóstico certeiro foi de uma das veterinárias oncologistas que tratam do câncer que ela enfrenta. Ao examinar as feridas, de cara ela me perguntou: “Você trocou o pote dela há pouco tempo?”.

Sim, havia trocado fazia pouco tempo. A DJ e os irmãos sempre comeram em potes de plástico. E numa dessas idas e vindas da casa do vovô eu perdi todos eles (não me perguntem como). Fato é que resolvi comprar novos comedouros, todos de plástico novamente.

Para sanar o problema da minha peludinha até que foi fácil, pomada à base de desoximetasona por uma semana e a troca do comedouro por um de cerâmica.

Materiais dos comedouros – Fato é que, muitas vezes, somos surpreendidos por elementos que nem sonhamos que possam fazer mal aos cachorros. No caso do plástico, a alergia pode aparecer em qualquer momento da vida do animal, mesmo que ele já tenha tido contato com o material antes. O caso da DJ.

Além de dermatites, acabei descobrindo pelo ótimo blog Cachorro Verde que comedouros de plástico ainda apresentam outros perigos. Por exemplo, se lavado com água fervente, uma forma comum de se matar bactérias, o plástico libera BPA (Bisfenol A), um composto orgânico associado ao diabetes, câncer de mama, baixa contagem espermática e doenças crônicas.

Outros estudos ainda apontam que o plástico, que tende a se dissolver na presença de água e outros líquidos, também resulta na ingestão contínua de petroquímicos.

Estudos mostram que o plástico tende a se dissolver na presença de água e outros líquidos, o que resulta em ingestão contínua de petroquímicos.

Para saber mais sobre materiais de comedouros e bebedouros, leia esse artigo do Cachorro Verde.

Como a DJ vem enfrentando o câncer

 

Muitas pessoas vêm me perguntando como tem sido o tratamento da DJ contra um câncer no sistema linfático e resolvi dividir com vocês um pouco dessa experiência. Em poucas palavras, posso resumir que não tem sido fácil, mas também não tinha expectativa que fosse. O tratamento é caro, demorado, resulta em alguns efeitos colaterais e tem como objetivo prolongar a vida dela com qualidade. Sim, prolongar. Não há chance de cura, infelizmente.

Alguns podem se perguntar: por que você, então, está gastando tanto tempo e dinheiro nesse tratamento? Simples, porque ela é minha filha e não a deixaria nunca definhar até morrer. Além disso, cada dia a mais com ela é precioso para mim e para o meu marido.

Bem, falando sobre o tratamento. Ao todo, nessa primeira fase do combate ao câncer, o protocolo indicado pela médica veterinária indica 16 sessões de quimioterapia, com aplicações que duram de 20 minutos a uma hora. O tipo de droga injetada é que determina o tempo que o animal tem de ficar conectado ao soro. Antes de todas as sessões, ela também é submetida a exames de sangue para avaliar a eficácia do tratamento. Ou seja, a bichinha ta mais furada que uma peneira. Tadinha 🙁

DJ durante sessão de quimioterapia
DJ durante sessão de quimioterapia

 

Até agora ela já fez nove sessões de quimio, e tivemos uma boa notícia: o câncer não se espalhou para órgãos do sistema digestivo. Com isso, o tratamento será quinzenal. Essa avaliação foi feita após uma série de exames realizados após a 8a. sessão.

Efeitos colaterais – Apesar dos cachorros serem mais resistentes aos medicamentos da quimioterapia, claro que há alguns efeitos colaterais. A DJ até agora já apresentou, ao menos, três deles: diarréia, vômito e uma pequena queda de pelos. Para combatê-los, ela toma pelo menos dois medicamentos após as sessões, Vonau e Omeprazol. Mas lá no começo do tratamento ela chegou a ingerir seis drogas diferentes. Haja estômago!

Temos também de tomar outros cuidados. Ela não pode mais tomar banho em pet shops e os passeios estão restritos por conta da baixa imunidade. Isso quer dizer que a DJ não pode ter contato com cachorros estranhos, pois não sabemos as condições de saúde deles.

Além disso, a alimentação está bastante limitada. Qualquer alimento diferente que ela venha a comer pode causar diarréia, então, precisamos evitar que isso aconteça.

Por enquanto basicamente é isso. Torçam, mandem energias positivas, orem para São Francisco para que a minha bichinha ainda fique um um bom tempo entre nós. #forçaDJ

 

 

Inspirado em finais felizes, Calendário Cão Sem Fome já está à venda

Capa do calendário Cão semFome 2016
Capa do calendário Cão semFome 2016

 

A Bonnie passou horas amarrada a um poste sem água e sem comida, já a Maria foi devolvida um ano depois de ser adotada, o Bartolo e o Charlie, por sua vez, passaram por feiras e feiras até encontrarem uma família. A semelhança na vida desses quatro peludos é que todos eles foram amparados pelo projeto Cão Sem Fome, adotados e agora estrelam o calendário 2016 do projeto.

A Cão Sem Fome ajuda mensalmente cerca de 400 animais de quintais de protetores independentes de São Paulo com alimentos e cuidados veterinários. Além disso, os integrantes do projeto organizam regularmente feiras de adoção pela cidade. Todo o trabalho é voluntário e demanda da equipe, como vi na festa de lançamento do calendário, uma dedicação que só pode ter quem realmente acredita na causa.

A ideia do calendário surgiu há três anos para suprir a falta de doações no fim do ano. A fundadora e coordenadora do projeto, Glaucia Lombardi, explica que os protetores enfrentam um cenário triste nos meses de janeiro e fevereiro: as pessoas viajam, deixam de contribuir e, por outro lado, também aumenta o número de animais abandonados.

 

Diante desse cenário e com o desejo de aumentar a visibilidade do projeto, ela decidiu criar o calendário. “Queríamos divulgar o nosso trabalho e lembrar que os cães precisavam de ajuda mensalmente para serem alimentados e tratados com dignidade. Juntamos as duas coisas e fizemos o primeiro calendário, que fica presente o ano todo na mesa das pessoas”, afirma Glaucia.

O produto também ajuda a divulgar histórias com finais felizes, como as que citamos acima. A cada ano, o Cão sem Fome lança uma campanha de conscientização que norteia todas as ações dos próximos 12 meses. A de 2015 é a “Sem Precãoceito”, que busca a conscientização das pessoas para a adoção de cães que sofreram algum tipo de preconceito. “Convidamos para serem as estrelas do calendário cães com histórias tocantes e comoventes, que foram vítimas de abandono e maus tratos e conseguiram ser adotados através dos eventos de adoção do projeto”, conta a coordenadora do Cão sem Fome.

O Cão sem Fome também criou nesse ano a Folhinha de Mensagens Diárias, uma coletânea de 31 pensamentos que falam sobre a relação das pessoas com seus cães, ilustrada com fotos e animais do projeto.

Mensagens diáriasAlém da renda obtida com o calendário, o projeto ainda realiza eventos e tem uma linha de produtos próprios para pessoas apaixonadas por cães. Outra forma de ajudar é apadrinhando um peludinho. A pessoa colabora mensalmente com o valor de R$ 40 para a manutenção do afilhado e recebe sempre notícias e fotos do cãozinho apadrinhado. “Além da contribuição mensal ajudar significativamente para a manutenção do animal, cria-se um vínculo afetivo entre o animal e o padrinho. Sabemos que algumas pessoas que gostam de cães não podem ter um em casa. Ser padrinho de um cãozinho carente é uma forma de ter um cão, mesmo que a distância”.

Onde comprar:
Calendário 2016 + Folhinha de Mesa – R$ 45,00 (com frete)
Contato: caosemfome@gmail.com
Compre pelo blog: caosemfome.blogspot.com
Para saber mais acesse: www.projetocaosemfome.com

 

 

 

Ensinando comandos 

A DJ fazendo o comando "toca aqui"
A DJ fazendo o comando “toca aqui”

Quando um cão tem algum problema comportamental, como agressividade, medo ou compulsão, a última coisa que o tutor deseja é ensinar comandos e truques para o peludo, e sim, tratar e resolver totalmente o problema apresentado. Mas uma coisa que poucos sabem é que ensinar comandos é parte fundamental de qualquer treinamento e pode ajudar, e muito, a resolver problemas comportamentais e também evitá-los.

Tomamos como exemplo um cãozinho que tem uma compulsão terrível por lambedura. Vocês já devem ter visto cães branquinhos com as patinhas avermelhadas ou marrons, decorrentes do contato frequente da saliva com os pelos e também da inflamação na pele. Em muitos casos, compulsões têm a ver com genética, situações estressantes ou conflituosas para o cão e problemas no ambiente, entre eles, a falta de atividade adequada gerando ócio. 

Uma das formas de melhorar a atividade do cão é justamente exercitando-o, através de atividades mentais como os comandos. Pular, saltar, rolar, girar, buscar objetos, fingir de morto – todos esses comandos ao mesmo tempo exigem física e mentalmente do cãozinho, beneficiando o tratamento contra a compulsão. 

No caso de cães agressivos, daqueles tidos como “dominantes”, o comportamento violento geralmente nada tem a ver com dominância, e sim com falta de educação e regras, que podem ser facilmente impostas através de comandos – em vez de entrar num confronto com  o cão para que desça do sofá, simplesmente ensinamos ao cão o comando “desce”; em vez de dar tudo o que o cão quer de mão beijada, mostramos que ele deve se comportar para ganhar as coisas, realizando um simples “deita e fica” antes de ganhar o tão sonhado petisco ou brinquedo.

Comandos melhoram a comunicação com o cachorro

Atualmente, os comandos ensinados aos cães não são somente uma forma de exibição da “dominância” do treinador ou da “obediência e servidão” canina, mas sim uma forma de comunicação eficaz entre duas espécies que não falam a mesma língua.  Por isso, é importante saber como ensinar os comandos, para que eles sejam fonte de prazer e diversão para o cão (e para nós também!) e sempre executados prontamente. 

Vamos nos colocar no lugar do cão: uma pessoa precisa aprender rapidamente um novo idioma para conseguir se comunicar com seres desconhecidos, que têm regras e costumes diferentes. Essa pessoa aprenderá melhor e de forma mais eficaz se for coagida ou se for altamente motivada e orientada? Com certeza a segunda opção, que nos leva às técnicas baseadas em reforço positivo! 

Em outras metodologias, os comandos podem ser ensinados através da manipulação do próprio cão, com o treinador posicionando-o da forma desejada, ou ainda usando a guia para fazer com que o cão se movimente de acordo, mas é perceptível que os cães que aprendem através do reforço positivo têm uma relação muito mais amistosa com os comandos.

Já falei sobre o reforço num artigo anterior, onde explico que para condicionar um indivíduo e aumentar a frequência de qualquer comportamento, é necessário que esse comportamento seja recompensado – ou seja, reforçado. No caso dos cães, o reforço mais poderoso é o alimento, porém outras recompensas também podem ser interessantes, como brinquedos ou elogios. Mas no caso dos comandos, usamos o reforço positivo e a técnica de “indução”, para moldar os movimentos do cão, ensinando de forma simples, clara e rápida.

Veja como ensinar o comando senta e fica

Com a ajuda dessas figuras, retiradas do site Golden Meadows, fica mais fácil entender como fazemos a indução de um comando simples, como o “senta”. (o texto continua abaixo)

Infográfico do site http://goldenmeadowsretrieversnews.com/
Infográfico do site http://goldenmeadowsretrieversnews.com/

Com o petisco na ponta dos dedos, colocamos próximo ao focinho do cão, fazendo com que ele siga o petisco, como se fosse um “imã”. Levantando a mão delicadamente acima da cabeça do cachorro, é possível que imediatamente ele abaixe o quadril. Assim que ele se sentar por completo, recompense-o com o petisco.

– No início do treino de qualquer comando, trabalhe com o cão um local familiar, sem muitas distrações, como na sala de casa. Vá aos poucos variando o local para o cão não “viciar”. Por exemplo, muitas pessoas só pedem o comando “senta” na frente do armário onde ficam os petiscos, dessa forma o cão entende que o comando só vale neste lugar. Aos poucos, treine em locais diferentes, como no hall do prédio, na calçada de casa, numa rua próxima.

– É normal o cão não atender aos comandos em lugares muito estimulantes, como praças e parques com cães e pessoas, por isso, treine bastante em lugares normais e neste outros locais, leve um petisco especial para prender mais a atenção  do cão.

– Durante o aprendizado, o cão precisa ver e farejar a comida na mão que o induz a fazer o movimento desejado, porém com o tempo ele deve ficar independente desta comida, aceitando só os comandos gestual e verbal. Para isso, gradualmente “esconda melhor” o petisco na mão, fazendo o gesto de forma cada vez mais clara, até que não precise mais do petisco, e recompense o cão com a outra mão. Desta forma, ele prestará atenção no gesto e 

– Caso o cão não atenda o comando no primeiro pedido, evite ficar repetindo várias vezes o comando verbal. Provavelmente ele não está atendendo por estar distraído, ou talvez ainda não tenha aprendido totalmente. O ideal é fazer com que ele preste atenção em você: faça um som, pode ser um assobio ou algum barulhinho que chame a atenção do cão; elogie quando ele olhar para você; mantendo contato visual com ele, faça o pedido novamente, com comandos gestual e verbal bem claros, uma vez só. Recompense bastante.

– Para que o cão aprenda a fazer os comandos mesmo sem petiscos como recompensa, habitue-se a pedir sempre algum comando antes de fazer algo que o cão gosta, como por a coleira para passear, por exemplo. Peça o comando “senta”, e como recompensa o cão coloca a coleira para sair. O cão quer subir num sofá que não tem sempre acesso? Peça um “senta e dá a pata” e use o acesso ao sofá como reforço. Ao receber visitas, peça para o cão aguardar deitado o carinho das pessoas. As recompensas podem ser as mais variadas, lembrando da regra: “Recompensa é tudo aquilo que o cão gosta e deseja naquele momento!”.

*** Por Juliana Nishihashi, Adestradora e Consultora Comportamental da Cão Cidadão