O poder do enriquecimento ambiental

Peludinho do Centro de Zoonoses brincando com um quebra-cabeça
Peludinho do Centro de Zoonoses brincando com um quebra-cabeça

Esses dias estava conversando com uma cliente que tem uma cadelinha muito ativa e destruidora, e ouvi uma das coisas que mais alegra uma adestradora: “Ju, descobri o poder do enriquecimento ambiental!!”.

Por que pra gente é tão importante que os tutores de cães entendam e utilizem o enriquecimento ambiental? Porque muitos problemas de comportamento podem ser evitados e tratados se esse recurso for utilizado da maneira correta! Vários problemas comportamentais são causados por tédio e ócio, desde problemas comuns, como destruição de objetos por filhotes, até problemas sérios, como compulsões.

Enriquecimento ambiental é uma técnica utilizada com pets e até com animais em cativeiro, que visa aumentar a interação do bicho com o ambiente, de forma lúdica e saudável, explorando seus sentidos e também habilidades naturais (saltar, cavar, nadar, etc), sempre levando em conta o indivíduo – por isso, ele pode e deve ser oferecido para cães de diferentes idades, portes e níveis de atividade – fazendo com que o pet gaste energia de forma inteligente e proveitosa.

O que NÃO é enriquecimento ambiental:
– dar um osso para o cão roer
– deixar uma bolinha ou brinquedo de pelúcia pro cachorro quando ele fica sozinho
– deixar o cão num quintal grande para ele correr, mas sem brinquedos

Então como transformar essas atividades simples em um verdadeiro enriquecimento ambiental?
– enriquecer o osso de couro com pedacinhos de petisco presos nos nós, e colocar o osso dentro de uma caixa de papelão, para que o cachorro use as patas e a boca para abrir a caixa e pegar o osso.
– colocar bolinhas de tênis dentro de uma meia, colocar grãozinhos de ração dentro dela, e dar um nó na ponta. Esse brinquedo é para ser destruído mesmo, senão o cão não consegue pegar as bolas e o alimento!
– no quintal grande, em vez de colocar a ração no pote, espalhar os grãos nos cantinhos, sob caixas de papelão, dentro de garrafas pet – use a refeição como brincadeira!! Pendurar num ponto fixo uma corda resistente e na ponta uma câmara de pneu, para o pet puxar. Se houver jardim e o cão tiver acesso, separar um cantinho para plantar ervas aromáticas para ele: manjericão, orégano, hortelã (veja quais são indicadas para cães comerem!).

Perceberam que nos três casos o cão precisa usar patas, boca e se movimentar, e tem o olfato, tato, paladar e visão aguçados? O enriquecimento ambiental é isso, fazer com que haja muitos estímulos diferentes no ambiente para que o cão se entretenha, gaste energia e não fique ocioso.

Esses brinquedos, é claro, demandam criatividade e também algum tempo para serem elaborados, diferente de simplesmente dar uma bolinha ou brinquedo plástico para o pet, mas vale muito a pena – o cão passa muito mais tempo brincando, se cansa muito mais e aprende várias habilidades diferentes.

Tenho alguns clientes que comentam “Ok, mas depois que meu cachorro fizer X meses e estiver mais calminho, vou poder parar de fazer todo esse enriquecimento, né?”. E eu respondo “Não, não vai!”. Suspender as brincadeiras para um cão jovem ou adulto equivale a parar de ir ao cinema, ler um livro ou jogar vídeo game só porque você passou da adolescência! Atividades físicas e mentais são necessárias e saudáveis em qualquer idade!

Alguns pontos importantes para fazer o enriquecimento ideal:
– se seu cão destrói e ingere pedaços dos brinquedos, prefira objetos comestiveis (ossos diversos, frutas, legumes, côco verde, gelo).
– adeque os brinquedos à idade e grau de energia do pet: filhotes geralmente gostam de brinquedos móveis e com barulho; cães mais velhos ou mais concentrados, de brinquedos com alimentos ou do tipo “quebra-cabeça”.
– deixe seu cão interagir com os brinquedos livremente – muitos donos se chateiam quando o pet estraga uma pelúcia durante a brincadeira, ou arrasta o brinquedo no chão em vez de manipulá-lo, como se houvesse uma forma “certa” de brincar. O ideal é deixar o cão usar a cabeça e encontrar a forma melhor para ele conseguir o objetivo.
– planeje-se!! Para não esquecer ou deixar faltar atividades para o pet, já deixe tudo esquematizado: corte e congele as frutas, lave e seque garrafas pet, separe caixas de papelão limpas, escolha os brinquedos ideiais, recheie os ossos e deixe prontos. A chave do sucesso (e da praticidade!) é ter tudo a mão, pronto para ser oferecido nas horas certas – quando o cão for ficar sozinho, quando receber visitas e precisar sossegar o pet, quando ele estiver agitado e você não puder brincar com ele, etc.

Neste blog, vocês podem encontrar dicas de brinquedos (veja abaixo) que a própria Angélica cria e oferece para seus peludos, mas na internet existe uma infinidade de ideias práticas e interessantes para você testar com seu cão. É legal entender o que o motiva e entretem, pois cada um tem gostos e aptidões diferentes.

Importante: observe atentamente como seu cão brinca, pelo menos em cinco oportunidades diferentes, para se certificar que ele não engole pedaços ou tem alguma outra reação estranha durante a brincadeira. Se você tiver mais de um cão, ou as brincadeiras serão SEMPRE supervisionadas, para evitar brigas, ou cada cão receberá seu enriquecimento separadamente. Brigas por posse, mesmo em cães dóceis, são comuns com objetos muito interessantes.

Agora não tem desculpa pra deixar o pet parado! Brincando assim o cão vai se divertir, e ao mesmo tempo ficar mais esperto e educado!

*** Por Juliana Nishihashi, Adestradora e Consultora Comportamental da Cão Cidadão

Toddy dando uma bela abocanhada numa garrafa com petiscos
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