Filho cão <3 Filho humano: histórias de famílias que deram certo

A família da Dorinha e da Catarina.
A família da Dorinha e da Catarina.

Hoje eu vou contar a história da Dorinha e da Catarina e também do Pedrinho, da Maria Clara, da Carolina, da Marie, do Gael e da Lin, filhos cães (tem até uma filha gata) e filhos humanos de famílias que conseguiram unir o melhor dos universos humano e animal. E por que resolvi falar deles? Porque é comum lermos por aí anúncios de doações de cachorros e também de gatos que são retirados das famílias com a chegada de bebês. Apesar de termos muitos artigos e reportagens com orientações sobre como adaptar o pet à chegada do novo integrante da família, podemos afirmar que essa triste situação é corriqueira.

Então, resolvi partir de exemplos práticos e oferecer algumas dicas para que essa adaptação não seja traumática. Sim, dificuldades existem, mas são perfeitamente superáveis. Nessas duas famílias, os pets vieram antes dos filhos humanos. No caso da Dorinha e da Catarina, por exemplo, a filha cão Dorinha chegou à vida da professora e tradutora Thaise Venturini Pregnolatto de Mello três meses antes dela descobrir que estava grávida. Já no caso da família de Pedrinho e cia, os filhos humanos vieram só seis anos depois dos filhos cães.

As duas histórias têm suas semelhanças e suas diferenças, mas nos dois casos há um elemento em comum, nenhuma das duas famílias cogitava se desfazer dos pets por causa dos bebês. “Quando compramos a Dorinha, nós já estávamos tentando engravidar. Cachorro e bebê nunca foram excludentes na nossa concepção”, afirma Thaise.

Para que não houvesse traumas na adaptação, Thaise conta que leu bastante e se dedicou a treinos com Dorinha durante a gravidez. Ela diz que passava bastante tempo com a schnauzer no quarto que seria da bebê a ensinando a esperar deitada enquanto estivesse na poltrona de amamentação ou no trocador (veja o vídeo abaixo). “Não era um ambiente proibido, mas ela sabia que ali existiam regras diferentes do resto da casa, ao qual ela tem acesso irrestrito”, explica.

 

Outra estratégia usada por Thaise foi separar peças usadas pela Catarina ainda na maternidade para que Dorinha cheirasse. Pouco antes de Thaise dar à luz, a peludinha foi levada para casa dos avós e nesse período foi adaptada ao cheirinho da Catarina. “Repetimos esse processo por mais ou menos duas semanas, o tempo em que ela ficou na minha mãe depois que a Catarina nasceu. Minha mãe chegou, nesse intervalo, a trazer a Dorinha para visitar a Catarina em casa, mas a levou de volta – não por nada, mas porque eu estava sozinha em casa cuidando da bebê recém-nascida e não teria condições de dar atenção para a Dorinha também”, conta Thaise.

A chegada do bebê é, realmente, um momento crucial na relação com o pet. No caso da Ana Liao, servidora pública e fotógrafa, foi marcante o momento em que chegou da maternidade com a pequena Lin nos braços. Ela conta que abriu a porta e deixou os três cachorros que tinha na época cheirarem o bebê já na porta. “Eles cheiraram, lamberam o pezinho dela e entraram em casa. Eu pedi licença para a Lin entrar”, diz.

A família de Ana Liao no aniversário do Zip, já falecido
A família de Ana Liao no aniversário do Zip, já falecido

Problemas podem ser resolvidos – No caso da Ana, a situação foi um pouco diferente. Ela tinha Zip e Poli, já falecidos, quando adotou Gael, que na época tinha oito anos, e teve alguns problemas inicialmente porque julgava que o menino não tratava bem os bichos. Nada que uma boa conversa não resolvesse e hoje Gael vê os peludinhos como irmãos.

Já no caso da Lin o maior problema que Ana enfrentou foi de logística. “Eu tinha que amamentar e cuidar do Zip que estava doente. Então, entre uma mamada e outra fazia nebulização nele”, relata.

Na casa da Thaise, a maior dificuldade enfrentada até hoje é fazer a Catarina dormir quando passa alguém no hall do andar. Dorinha late bastante e com muita frequência acorda o bebê nessas situações. “Melhorou muito e quando passa alguém no hall e ela já me olha, esperando o s’hhhh, Dorinha!, mas às vezes o hábito fala mais alto”, diz.

Thaise admite sua parcela de culpa por não ter se dedicado a corrigir de verdade o problema, apenas reage quando ele surge. Ela conta ainda que na casa da avó, onde Dorinha tem zero compromisso com disciplina, os transtornos são ainda maiores. “Cada um que chega em casa acorda a Catarina”, lamenta.

O que os especialistas dizem – No livro “O Cão de família”, o especialista em comportamento animal Alexandre Rossi e a médica veterinária Alida Gergen afirmam que é muito comum os cachorros associarem a perda de atenção com a chegada do recém-nascido.

Como eles dizem e é verdade é impossível que o casal continue a dar ao peludo a mesma atenção de antes, o ideal é que se treine uma “redução de interesse” durante a gravidez. E essa estratégia é até simples de implementar, basta ignorar algumas tentativas do bichinho de conseguir carinho.

Quando o bebê chegar, se o cachorro for ignorado ou receber broncas com sua aproximação é claro que vai associar aquele novo indivíduo a uma coisa ruim. Então, o ideal é fazer o contrário, associar a presença do bebê a elementos agradáveis, como um petisco ou carinho, por exemplo. Outra boa dica é ligar o cheiro do nenê a coisas boas: esfregue um pano no recém-nascido e coloque embaixo do prato de comida, por exemplo.

Já se o peludo não puder entrar no quarto do bebê, o recomendado é que essa proibição seja colocada em prática antes dele chegar.

Tanto para os profissionais quanto para as mães só há aspectos positivos na criação de uma criança junto com um animal de estimação. No livro, Alexandre Rossi e Alida Gerger defendem que a convivência com um bicho permite que a criança desde pequena vivencie lições de respeito, responsabilidade e amor. Thaise concorda: “Gosto muito de pensar que estou criando uma pessoa que vai amar os animais, respeitá-los, cuidar deles e se sentir responsável pelo seu bem-estar como um todo”. Já Ana enfatiza: “As crianças que crescem com bichos ficam muito mais humanas, aprendem desde cedo a dividir e também o significado do amor puro e verdadeiro”.

 

 

Deixe seu comentário!