Eu piorei o comportamento do meu filho com broncas

 

Sabe quando com a melhor das intenções você erra terrivelmente? Pois é, aconteceu na minha relação com o Theo. Desde que eu o adotei, há quase um ano, percebi que ele tinha um certo medo de cachorros estranhos. Nos primeiros dias, era só um chorinho quando passava perto de outros cães, depois ele começou a dar altos pulos.

Entendi, então, que se tratava de um comportamento ruim, uma espécie de agressividade, e comecei a dar broncas nele com uma lata com pregos e depois com bombinhas de São João. A princípio, achei que o comportamento havia melhorado. Ia diariamente à casa dos meus pais para passear com ele e quando, raramente, via algum cachorro na rua apenas chorava.

Porém, para minha surpresa, o comportamento dele piorou quando o levei para minha casa. De uns quatro meses para cá, são pulos, latidos e rosnados ao ver qualquer cão na rua, mesmo o mais minúsculo (veja no vídeo acima).

Após pensar bastante sobre o assunto, concluí que essa reação enlouquecida dele foi piorada após eu trocar de bronca. Avaliei que as bombinhas não faziam mais “efeito” e resolvi comprar o Pet Corrector, um spray de ar comprimido que produz um som similar ao emitido por cobras e que, teoricamente, pararia o mau comportamento. O problema é que ele não interrompeu os rosnados e pulos, e pior agravou.

O que acontece é que eu entendi errado o comportamento do Theo. Não trata-se exatamente de agressividade, mas de medo. Cheguei a essa conclusão ao aproximá-lo de cachorros amistosos. Ele sabe a etiqueta de aproximação e não demonstra agressividade. Porém, quando o cão desconhecido está longe, por menor que seja, ele fica enlouquecido.

Bem, para me ajudar a tratar esse comportamento chamei uma adestradora da Cão Cidadão, a Luciana Prado. Há cerca de um mês, ele vem passando por um adestramento intensivo baseado apenas em reforço positivo. Um método de adestramento que usa apenas associações positivas – comida, ossos, brinquedos – para tratar os animais.

No caso do Theo, a gente vem usando comida. Temos testado várias guloseimas (salsicha, queijo, petiscos diferentes). Para chamar a atenção dele, uso o clicker e, se possível, peço algum comando, em geral, o senta e entrego a comida. Se ele já está transtornado e não obedece ao comando, tento, ao menos, fazer com que ele coma. A ideia é que ele preste mais atenção em mim e ligue a presença do outro cachorro a coisas boas, no caso a comida.

Por enquanto, ele vem oscilando. Há dias em que faz um bom passeio, sem muito “showzinho”, como costumamos dizer, mas em outros ainda dá muito escândalo. Espero que daqui a alguns meses – o tratamento de medo demora – venha aqui contar que o Theo superou esse problema.

E deixo aqui um alerta, nem sempre nós, os pais, interpretamos corretamente os sinais que os nossos filhos cães nos dão. Por mais que a gente leia e se informe, há certos problemas que só podem ser corrigidos por um adestrador.

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