Quando a velhice chega

Ozzy, o meu velhinho, está sofrendo os problemas da terceira idade.
Ozzy, o meu velhinho, está sofrendo os problemas da terceira idade.

 

Quem acompanha o Meu Filho Cão pelo Instagram e pelo Facebook sabe que desde a semana passada o meu filho mais velho, Ozzy, de 14 anos, está bastante doente, fazendo tratamento diário no hospital. O caso dele inspira bastante cuidado, pois a função renal está seriamente comprometida e isso também está afetando os batimentos cardíacos. Ele está sendo bem assistido, há nove anos ele se trata com o mesmo veterinário do Hospital Veterinário da Universidade Metodista de São Paulo, porém, mesmo assim, nos ficamos bastante abalados por conta do estado geral dele.

Decidi escrever esse post não só para falar sobre o Ozzy, mas também para abordar um assunto que está cada dia mais presente nas famílias que têm cachorro, a velhice canina. Com o avanço da medicina veterinária e também da alimentação oferecida aos cães, hoje já é comum ver peludinhos que atingem a terceira idade. Com ela, assim como acontece com os seres humanos, o número de doenças cresce e os cuidados com alimentação e higiene devem ser redobrados.

Para mim, essa situação deve estar bem clara na cabeça de todas as pessoas que decidem adotar um cão. Obviamente, não consideramos de maneira nenhuma abandonar o peludinho nessa fase da vida, mas a família tem que estar consciente de que a dedicação redobra nessa fase.

Segundo o livro “Cão de Família”, da Alida Gerger e do Alexandre Rossi, os cachorros maiores ficam idosos mais cedo, em torno de seis anos de idade, já os menores alcançam a terceira idade com cerca de nove anos. É natural, ainda de acordo com o livro, que os cães velhinhos durmam um pouco mais, andem mais devagar e diminuam suas atividades em geral. No entanto, há uma doença chamada disfunção cognitiva que deve ser observada.

Quando o cachorro é acometido pela disfunção cognitiva pode latir sem motivo; urinar e defecar em locais que não habituais, como se tivesse esquecido o que é certo; insônia e vaguear durante a noite; não reconhecer o dono; não responder a alguns comandos normalmente utilizados; se recusar a passear; parecer confuso ou perdido pela casa; entrar em locais inadequados e ter dificuldade para sair, como de trás da geladeira, por exemplo.

Se o velhinho apresentar alguns desses sintomas, o veterinário deve ser consultado, já há tratamento e controle para aliviá-los.

Hora do passeio! Diversão ou… tortura?

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Para passear, o Theo usa uma coleira tipo cabresto, uma das recomendo

Mas o pior é que para muitos tutores isso é verdade. Só de pensar em passear com o peludo, já sentem dor no braço, nas costas, a palma da mão queimando da guia, os puxões, etc. Haja condicionamento clássico nessa hora!

(Explicando o que é isso, pois isso vai ajudar a entender os problemas de passeio: de forma simples, condicionamento clássico acontece quando duas situações distintas, mas que acontecem ao mesmo tempo, acabam disparando uma reação automática do ser – pessoa ou animal – um “reflexo condicionado”)

Então, o que podemos fazer para treinar o cão e tratar os problemas no passeio – e enfim, mudar esse condicionamento, de algo terrível para algo prazeroso?

Primeiro, não vamos treinar o cão quando ele já está totalmente fora de controle. Uma adestradora que gosto muito diz a seguinte frase: “Não dá pra gente ensinar álgebra numa montanha-russa”. Ou seja, não dá pra tentar ensinar nada para alguém durante uma situação tensa, estressante, estimulante. Precisamos começar do básico, do mais fácil pro mais difícil. 

Comece em casa – Vamos começar diariamente, dentro de casa e mostrando pra cachorro como o passeio deve acontecer: de coleira e guia, posicione o cachorro do seu lado, onde a guia esteja frouxa (não tensione nem encurte a guia); dê dois passinhos, e se o cachorro acompanhar com a guia frouxa, dê um petisco para recompensar. Começe na sala, vá até a cozinha, se ele continuar focado em você e no petisco, começe a ir para fora. Se ele ficar muito excitado, retroceda. Esse passo vai ensinar para o cão duas coisas importantes: a posição que ele deve ficar durante o passeio, e que não há motivos para ficar totalmente descontrolado cada vez que coloca a coleira, pois essa é uma situação totalmente calma e corriqueira. 

Lembra do condicionamento clássico? Ele aparece nesse passo inicial do passeio, ou seja, na saída. O cão já está tão condicionado a sair maluco e puxando a guia no passeio, que só de vestir (ou olhar!) a coleira, já fica doidão e sai do controle. Por isso, esse passo precisa ser feito com paciência, para começarmos a alterar o comportamento.

Realizado esse passo, passamos agora para a rua – horário calmo, sem muitos estímulos. Faça o mesmo processo acima, só que agora vai ser mais complicado, pois na rua há mais distrações. 

Por isso, o ideal é treinar com o cão num momento onde ele esteja com apetite e levando um petisco irresistível. Use o horário da refeição e a própria ração, por que não? 

Já na rua, se o cão começar a puxar para chegar em algum lugar, use a frustração – simplesmente pare imediatamente de andar. Dica importante: cole a mão que segura a guia junto ao corpo, assim, quando parar de andar, o cachorro não vai ganhar nem um centímetro a mais do seu braço sendo esticado! Será ainda mais frustrante para ele realizar o puxão. 

Aguarde o cão se tocar: “Pô, que saco! Por que ele parou?”. Quando o cão afrouxar a guia, olhando de volta para você, volte a andar. Se ele não se tocar, dê uma ajuda – bata na perna, chamando-o e colocando-o de volta na posição certa, e aí continue o passeio. Outra dica boa é simplesmente virar para o lado oposto ao que o cão puxou. Teste e veja o que funciona com o seu cão, pois não tem “receita de bolo” que funciona igual para todos nessa hora.

Quando o cachorro estiver andando do seu lado com a guia frouxa, ELOGIE MUITO!! Fale com ele, dê o petisco, e deixe que ele faça algo que goste muito – cheirar uma moita, marcar com xixi, cheirar outro cão, brincar com uma pessoa. É desta forma que nos desvencilhamos do petisco como recompensa, usando reforços ambientais (a médio prazo, ok? No começo, 

No começo, o “passeio” vai ser super curto, pois será mais um treino do que lazer. 

Outras orientações muito importantes que precisam ter em mente ao passear com um cão:

Use as ferramentas adequadas. Muitas vezes o treino não dá tão certo por conta das ferramentas. Minha coleira favorita é a peitoral de treino: ela controla o cão sem enforcar ou apertar, facilitando a frustração quando o peludo puxa, pois a guia prende na frente então nas costas. Outra que gosto muito é o cabresto, indicada para cães fortes, que além de puxar no passeio, são agressivos – aliás, agressividade será tópico de outro artigo! AGUARDEM! Coleiras de pescoço também podem ser boas, mas em cães que puxam muito podem machucar, costumo utilizar no caso de cães mais fracos, que cheiram o tempo todo, pois não é necessário usar muita frustração ou força. Enforcadores são polêmicos, eu prefiro evitá-los pois as chances de machucar o cão são grandes, principalmente com pessoas inexperientes. As guias, sempre de material resistente, bem costuradas (não coladas!!), de 1m a 1,5m de

Preste atenção no cachorro!! Ninguém gosta de ser convidado para sair, e no meio do passeio ser ignorado pelo amigo, certo?! Acontece o mesmo com o cão: chamamos o peludo pra passear, e 5 minutos depois estamos no celular, sem olhar pro cão. É claro que ele vai puxar a guia e decidir para ir, afinal, o companheiro de passeio é um tédio! Passeio é um momento de conexão e diversão mútua, então olhe para o cão, fale com ele, elogie quando estiver educado, leve-o para cheirar e fazer xixi sem que ele precise puxar. Muitas vezes, só isso já faz o passeio ser mil vezes melhor.

Seja persistente e criterioso. O cão puxou a guia pra chegar no poste? O passeio pára e ele não consegue chegar lá. O cão está educado andando junto? Dê alguma recompensa! TODAS AS VEZES. Se formos variáveis, o cão não entenderá exatamente o que estamos ensinando.

Passeie todo dia! É muito difícil para o cachorro não ficar ansioso para sair se ele só sai 1 vez por semana! Então, uma das formas de acalmar o cão é criando a rotina de sair diariamente – e também porque assim temos condições de treinar um pouco todo dia, e porque atividade física diária é item obrigatório para o bem estar canino.

Dá um bom trabalho, mas vale a pena! Com o treino, passear com o cão vai ficar tão prazeroso, sua relação com o peludo vai melhorar tanto, que você vai ficar tão feliz quanto seu cachorro quando vir a coleira!

*** Por Juliana Nishihashi, Adestradora e Consultora Comportamental da Cão Cidadão

Os cachorros sonham?

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Theo tirando uma soneca

 

Acho que assim como eu vocês já devem ter percebido que muitas vezes durante o sono nossos filhos emitem alguns sons ou têm uns tremeliques. Bem, observando esse comportamento sempre fiquei me perguntando, será que os cachorros sonham?

A resposta para esse dúvida eu encontrei no livro que curiosamente se chama “Os cães sonham”, de Stanley Coren. E, sim, a resposta é eles sonham! Essa foi a conclusão dos cientistas partindo de algumas premissas como a de que em nível estrutural o cérebro dos cães é muito parecido com o dos humanos. Além disso, estudos verificaram que durante o sono os padrões de ondas cerebrais desses animais são muito semelhantes aos do homem e passam pelos mesmos estágios de atividade elétrica, indicando assim que os cachorros têm sonhos.

Há evidências de que os cachorros sonham com atividades caninas comuns. Os estudiosos concluíram isso a partir da análise de uma parte da estrutura cerebral chamada ponte, que impede todos nós de externarmos nossos sonhos.  Os cães só começavam a se mexer quando o cérebro entrava no estágio do sono associado ao sonho. Os pesquisadores descobriram que ao sonhar um pointer pode começar a procurar imediatamente pela caça e até apontar, um springer spaniel pode disparar atrás de um pássaro imaginário no seu sonho, enquanto um doberman pode comprar uma briga com um ladrão.

Como saber se eles estão sonhando – É muito fácil saber quando seu filho cão está sonhando. À medida que o sono se aprofunda, a respiração ficará mais regular. Depois de aproximadamente 20 minutos, um cachorro de tamanho médio, deve ter o primeiro sonho. Você reconhecerá a mudança porque a respiração ficará irregular. Pode haver contrações musculares e você conseguirá observar os olhos dele se mexendo por baixo das pálpebras. Isso ocorre porque o cão realmente está olhando para as imagens do sonho como se fossem reais.

Nem todos os cachorros possuem a mesma quantidade de sonhos. Os pequenos, como um poodle toy, podem sonhar a cada 10 minutos, enquanto um mastim a cada uma hora. A diferença é que os sonhos dos maiores duram mais tempo.

Interessante, né?

O que você precisa saber sobre filhotes

Glinis e Moti, os meus filhotes :-)
Glinis e Moti, os meus filhotes 🙂

Filhotinho é fofo e todo mundo gosta. Conquista com os olhinhos pidões, o jeito desengonçado, os pulinhos pra ganhar atenção, as mordidinhas durante a brincadeira e durante um tempo conseguem fazer tudo o que querem. Mas é só passar um tempo, e alguns desses comportamentos passam a ser extremamente desagradáveis, o que faz com que muitos tutores percam rapidamente a paciência com aquele filhotinho que antes era tão fofo e engraçadinho.

A chave do sucesso pra lidar com filhotes é ter limites, regras e rotinas desde o início. Assim que o bebezinho chega, a gente pode fazer uma listinha (e não digo no sentido figurado não, é literalmente) das coisas que devemos ensinar ao filhote e da rotina que precisamos manter. Tudo isso dá um pouco de trabalho, mas é fundamental para não ficarmos de cabelo em pé quando o filhote começa a crescer e as dificuldades em controlá-lo aumentam – e aumentam mesmo!

Essa listinha, pra mim, deve ser composta de alguns itens básicos, como por exemplo:

Coisas para treinar diariamente
– Sociabilizar o filhote com o ambiente externo, levando-o por 10 minutos até a rua no colo e deixar que ele veja as coisas enquanto se alimenta com grãos de ração
– Treinar o filhote a usar coleira, ser penteado e examinados nas patas, orelhas, boca e barriga, sempre usando petisco ou ração para recompensá-lo
– Ensinar o filhote a brincar com seus brinquedos e não com as mãos das pessoas
– Comandos básicos: senta, deita, fica e vem (esses comandos devem ser treinados e usado sempre que o filhote for ganhar alguma coisa, seja sua ração ou um brinquedo novo)

A listinha da rotina diária eu sempre recomendo, porque muitas vezes os problemas de comportamento aparecem no filhote simplesmente porque a gente não se programou como deveria para acomodar as necessidades naturais desse filhote, como necessidade de objetos para roer, necessidade de fazer exercícios, necessidade de horário para se alimentar.

Então, a listinha da rotina diária ficaria mais ou menos assim:
7h – ração do café da manhã + caixa de papelão para destruir (pois o filhote ainda não foi vacinado e não pode passear para gastar energia)
11h – ganhar um osso ou jogar bolinha
13h – ração do almoço dentro da garrafa pet (para que ele coma se exercitando)
18h – treinar os comandos básicos com a ração do jantar (para aproveitar esse alimento e dar como recompensa aos comandos)
20h – fazer a sociabilização externa com o filhote
22h – treinar a adaptação à coleira, pente e manipulação

“Xiiii… Mas eu trabalho o dia inteiro, não tenho como brincar às 11h, ou dar a garrafa pet às 13h!” Então, faça a programação de acordo com suas rotinas, mas sempre pensando em oferecer as atividades para o cãozinho; você pode deixar a garrafa já recheada com ração num cantinho para ele descobrir durante o dia, e esconder o ossinho na caminha para ele roer quando tiver vontade. O importante é dar o que o filhote precisa.

NOSSA!! Quanto trabalho, não é mesmo? Pois ter um filhotinho em casa é o mesmo que ter um bebê humano: requer tempo, dedicação e paciência! Não podemos esquecer que o filhotinho depende totalmente da gente, para aprender o que é certo e errado e principalmente para ter interação social e atividades. Por isso, sempre explico que é utópico querer que um filhote passe pela infância com pouco contato social, sem atividades adequadas e sem o treinamento feito pelos membros da família, e ainda cresça equilibrado e educado!

Tudo depende do trabalho dos donos, das rotinas que vão ser aplicadas por eles e acima de tudo, da sua persistência e paciência. O trabalho do adestrador ou consultor comportamental é auxiliar a organizar essa rotina da melhor forma pra família, e principalmente para o filhote.

Outras dicas que acho fundamentais para lidar com a fase exploradora e destrutiva (embora adorável!) dos filhotes:
– não deixar o filhote solto na casa quando não estiver perto para supervisionar. O filhote explora, brinca e destrói, e sem ninguém para balizar seu comportamento, com certeza vai brincar com o que não deve. Deixe para soltá-lo quando estiver próximo, pra poder orientá-lo, dar o brinquedo certo e impedir que mexa nas coisas erradas.
– não ensine o filhote a brincar mordendo ou fazer “lutinha”, o que vai deixá-lo muito excitado e achando que pode brincar fisicamente com as pessoas. Depois de mais velho, essas brincadeiras passam a ser inaceitáveis, pois machucam de verdade, mas na cabeça do cachorro é assim que ele deve brincar, pois aprendeu isso na infância, e o pior, com o próprio dono!

Então, não encoraje na infância o que você não quer na fase adulta!

– ENRIQUECIMENTO AMBIENTAL, ENRIQUECIMENTO AMBIENTAL, ENRIQUECIMENTO AMBIENTAL. Não cansamos de falar dos benefícios dele! Tem até artigo no blog.
– sociabilização precoce. Vou fazer em breve um artigo que explica direitinho o que é e como fazer, mas basicamente, precisamos expor de forma gradual e positiva nossos filhotinhos, com idade entre 45 dias e 3 meses, a todos os estímulos possíveis, para que ele vá se acostumando aos poucos a todas as coisas com as quais conviverá no futuro. O segredo é fazer com segurança (levando no colo), delicadamente (em horários mais calmos e locais com menos estímulos, por pouco tempo) e positivamente (usando petiscos para recompensar).

Ter filhote dá trabalho. E muito prazer! E alegrias imensas! Mas com rotina e organização, tudo fica mais fácil, eu garanto!

*** Por Juliana Nishihashi, Adestradora e Consultora Comportamental da Cão Cidadão

O poder do enriquecimento ambiental

Peludinho do Centro de Zoonoses brincando com um quebra-cabeça
Peludinho do Centro de Zoonoses brincando com um quebra-cabeça

Esses dias estava conversando com uma cliente que tem uma cadelinha muito ativa e destruidora, e ouvi uma das coisas que mais alegra uma adestradora: “Ju, descobri o poder do enriquecimento ambiental!!”.

Por que pra gente é tão importante que os tutores de cães entendam e utilizem o enriquecimento ambiental? Porque muitos problemas de comportamento podem ser evitados e tratados se esse recurso for utilizado da maneira correta! Vários problemas comportamentais são causados por tédio e ócio, desde problemas comuns, como destruição de objetos por filhotes, até problemas sérios, como compulsões.

Enriquecimento ambiental é uma técnica utilizada com pets e até com animais em cativeiro, que visa aumentar a interação do bicho com o ambiente, de forma lúdica e saudável, explorando seus sentidos e também habilidades naturais (saltar, cavar, nadar, etc), sempre levando em conta o indivíduo – por isso, ele pode e deve ser oferecido para cães de diferentes idades, portes e níveis de atividade – fazendo com que o pet gaste energia de forma inteligente e proveitosa.

O que NÃO é enriquecimento ambiental:
– dar um osso para o cão roer
– deixar uma bolinha ou brinquedo de pelúcia pro cachorro quando ele fica sozinho
– deixar o cão num quintal grande para ele correr, mas sem brinquedos

Então como transformar essas atividades simples em um verdadeiro enriquecimento ambiental?
– enriquecer o osso de couro com pedacinhos de petisco presos nos nós, e colocar o osso dentro de uma caixa de papelão, para que o cachorro use as patas e a boca para abrir a caixa e pegar o osso.
– colocar bolinhas de tênis dentro de uma meia, colocar grãozinhos de ração dentro dela, e dar um nó na ponta. Esse brinquedo é para ser destruído mesmo, senão o cão não consegue pegar as bolas e o alimento!
– no quintal grande, em vez de colocar a ração no pote, espalhar os grãos nos cantinhos, sob caixas de papelão, dentro de garrafas pet – use a refeição como brincadeira!! Pendurar num ponto fixo uma corda resistente e na ponta uma câmara de pneu, para o pet puxar. Se houver jardim e o cão tiver acesso, separar um cantinho para plantar ervas aromáticas para ele: manjericão, orégano, hortelã (veja quais são indicadas para cães comerem!).

Perceberam que nos três casos o cão precisa usar patas, boca e se movimentar, e tem o olfato, tato, paladar e visão aguçados? O enriquecimento ambiental é isso, fazer com que haja muitos estímulos diferentes no ambiente para que o cão se entretenha, gaste energia e não fique ocioso.

Esses brinquedos, é claro, demandam criatividade e também algum tempo para serem elaborados, diferente de simplesmente dar uma bolinha ou brinquedo plástico para o pet, mas vale muito a pena – o cão passa muito mais tempo brincando, se cansa muito mais e aprende várias habilidades diferentes.

Tenho alguns clientes que comentam “Ok, mas depois que meu cachorro fizer X meses e estiver mais calminho, vou poder parar de fazer todo esse enriquecimento, né?”. E eu respondo “Não, não vai!”. Suspender as brincadeiras para um cão jovem ou adulto equivale a parar de ir ao cinema, ler um livro ou jogar vídeo game só porque você passou da adolescência! Atividades físicas e mentais são necessárias e saudáveis em qualquer idade!

Alguns pontos importantes para fazer o enriquecimento ideal:
– se seu cão destrói e ingere pedaços dos brinquedos, prefira objetos comestiveis (ossos diversos, frutas, legumes, côco verde, gelo).
– adeque os brinquedos à idade e grau de energia do pet: filhotes geralmente gostam de brinquedos móveis e com barulho; cães mais velhos ou mais concentrados, de brinquedos com alimentos ou do tipo “quebra-cabeça”.
– deixe seu cão interagir com os brinquedos livremente – muitos donos se chateiam quando o pet estraga uma pelúcia durante a brincadeira, ou arrasta o brinquedo no chão em vez de manipulá-lo, como se houvesse uma forma “certa” de brincar. O ideal é deixar o cão usar a cabeça e encontrar a forma melhor para ele conseguir o objetivo.
– planeje-se!! Para não esquecer ou deixar faltar atividades para o pet, já deixe tudo esquematizado: corte e congele as frutas, lave e seque garrafas pet, separe caixas de papelão limpas, escolha os brinquedos ideiais, recheie os ossos e deixe prontos. A chave do sucesso (e da praticidade!) é ter tudo a mão, pronto para ser oferecido nas horas certas – quando o cão for ficar sozinho, quando receber visitas e precisar sossegar o pet, quando ele estiver agitado e você não puder brincar com ele, etc.

Neste blog, vocês podem encontrar dicas de brinquedos (veja abaixo) que a própria Angélica cria e oferece para seus peludos, mas na internet existe uma infinidade de ideias práticas e interessantes para você testar com seu cão. É legal entender o que o motiva e entretem, pois cada um tem gostos e aptidões diferentes.

Importante: observe atentamente como seu cão brinca, pelo menos em cinco oportunidades diferentes, para se certificar que ele não engole pedaços ou tem alguma outra reação estranha durante a brincadeira. Se você tiver mais de um cão, ou as brincadeiras serão SEMPRE supervisionadas, para evitar brigas, ou cada cão receberá seu enriquecimento separadamente. Brigas por posse, mesmo em cães dóceis, são comuns com objetos muito interessantes.

Agora não tem desculpa pra deixar o pet parado! Brincando assim o cão vai se divertir, e ao mesmo tempo ficar mais esperto e educado!

*** Por Juliana Nishihashi, Adestradora e Consultora Comportamental da Cão Cidadão

Toddy dando uma bela abocanhada numa garrafa com petiscos
Toddy dando uma bela abocanhada numa garrafa com petiscos

Dicas de brinquedo do MFC:
Garrafa pet com petisco
Brinquedo com caixa de suco
Brinquedo com rolo de papel higiênico
Kong, um brinquedo que todo cachorro deveria ter
Comprei um quebra-cabeça
Garrafa com petisco versão combo
Vídeo: faça um brinquedo com garrafa e meia