Os cães e a solidão

A cara de tristeza do Theo quando a mommy sai de casa
A cara de tristeza do Theo quando a mommy sai de casa

 

Hoje quero falar com vocês um pouquinho sobre um assunto que é dúvida para muitos tutores: como lidar com as situações em que o peludo ficará sozinho.

Seja por pouco ou muito tempo, em situações rotineiras ou esporádicas, para muitos tutores e cães os momentos de solidão são um problema. Problemas como choros, latidos, destruição, necessidades em locais errados, ou mesmo relatos de “depressão” nos peludos, são bastante comuns, infelizmente.

Embora não haja um número exato de horas que um cão pode ficar sozinho em casa, é de senso comum que a solidão não faz bem para nossos peludos. Cães são seres sociais, e o convívio com a família é vital para seu equilíbrio e bom comportamento. Um cão que é obrigado a passar muitas horas sozinho, sem ter sido adequadamente adaptado a isso, certamente vai desenvolver algum (senão todos) os problemas descritos acima. Portanto, é papel do tutor, assim que decidir adotar ou comprar um cãozinho, planejar muito bem como será a adaptação do pet às situações de solidão. Os pontos mais importantes a serem levados em conta são:

– Entrar numa rotina diária de exercícios físicos ou passeio com o pet.

– Até ter certeza que o cão está acostumado, providenciar um local neutro para deixar o cão nos momentos de solidão, onde ele não terá tantas possibilidades de fazer bagunça (se for filhote, pode ser um cercadinho na sala, se for um cão maior ou mais velho, a cozinha e área de serviço, por exemplo), mas ainda assim não deverá ficar isolado da casa (trancado no banheiro, por exemplo).

– Oferecer brinquedos adequados para que o cão tenha coisas para se distrair enquanto está só, além de associar esses momentos com coisas boas e divertidas – os brinquedos mais indicados são aqueles que liberam alimento ou ossos, se liberados pelo veterinário.

– NUNCA associar solidão com broncas ou punições. É muito comum ver tutores que trancam o cão em algum cômodo “de castigo”, depois que o pet faz algo errado. Essa é a melhor forma de ensinar o cão a odiar ficar só, pois entende que foi deixado sozinho pois o tutor está muito bravo com ele. O correto é associar a solidão com algo muito bom, seja a entrega um brinquedo novo, um osso, ou mesmo a hora de se alimentar.

– Enquanto estiver em casa com o peludo, reservar momentos para interagir exclusivamente com ele: treino de comandos, jogar bolinha, fazer cabo de guerra, sessões de carinhos e afagos são bem-vindos.

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Ofereça atividades, como brinquedos, para os momentos de solidão

É também uma queixa muito comum, tutores que relatam que seus cães pulam, latem, ficam muito agitados e não param quietos, assim que entram em casa ao chegar do trabalho. Pura falta de educação e dominância nestes cães, correto? ERRADO! Estes pobres peludos estão simplesmente morrendo de saudades dos seus donos, e estão demonstrando da forma que acham certa!

O jeito certo de chegar – Vamos compreender o lado do cão: Depois de horas de solidão, num ambiente “chato”, tudo o que o pet quer é a chegada dos familiares. Sua intenção com esses comportamentos é demonstrar que está feliz e quer interagir. Nosso papel: ensinar ao cão qual a forma ideal para isso. Veja o artigo sobre como ensinar comandos e comece um treininho com o cão! E também evite saídas e chegadas muito “emocionadas” – se você não quer que o cão pule em você, não deve deixá-lo muito excitado. Entre, deixe a bolsa no quarto, tire os sapatos calmamente, dê um “olá” bem discreto para o peludo, e quando ele estiver mais calmo fale direito com ele.

Outro cenário bem comum é vermos cães que vivem em quintais, no caso de casas, ou áreas de serviço ou varandas, no caso de apartamento, sem convívio com os humanos. Por mais que haja espaço para correrem e brincarem, e não estejam “confinados”, a ausência de companhia humana significa solidão, que pode causar problemas de comportamento. Por isso, deve-se proceder como no caso anterior, fazendo uma adaptação ao convívio familiar e situações de solidão, sem exclusão do pet! Um cão bem educado vai viver bem, tanto na presença quanto na ausência de pessoas, mas lembre-se: cães foram feitos para viver principalmente em família!

Excesso de presença – Se por um lado o excesso de horas sozinho é prejudicial para os cães, o contrário também é verdadeiro: existem muitos tutores que nunca deixam o cão sozinho, nem para ir ao banheiro! Alguns cães estão habituados a viver numa casa cheia de pessoas, e por isso se acostumam a ter sempre companhia; e alguns tutores, depois da chegada do pet, deixam de sair, e pedem a algum amigo, familiar ou funcionário, que fique com o cão quando precisa deixar a casa, “forçando” uma rotina de companhia 100% do tempo. Isso é extremamente prejudicial para o cão, que se torna totalmente dependente de companhia. É normal e saudável para um cão passar momentos sem pessoas (desde que devidamente adaptado e com atividades para realizar neste período), pois aprende a lidar com essa “frustração” como algo corriqueiro. E é nas coisas corriqueiras que devemos iniciar a adaptação: como falei anteriormente, existem tutores que levam seus peludos até para o banheiro, para que não fiquem sós durante o banho. Comece usando essas situações para incentivar um comportamento mais independente do cão: deixe um osso bem gostoso, e entre no banheiro. Faça o mesmo quando for preparar um lanche na cozinha, ou ler um email no escritório. O cão passará a se acostumar a não ficar colado no tutor, e com certeza essa independência será muito saudável para ele. Imagine que acontece uma emergência e você precisa ir ao hospital – sem o peludo. O quanto ele sofrerá desnecessariamente com essa separação, se não estiver acostumado a isso? Melhor prevenir do que remediar!

Portanto, as melhores dicas sobre cães e solidão estão aqui resumidas:

– acostume de forma gradual seu pet a ficar sozinho, dando sempre uma atividade legal para ele fazer enquanto estiver só.

– não prenda o cão sozinho como castigo.

– incentive a independência do peludo nas situações cotidianas, como ir ao banheiro e deixá-lo para fora.

– eduque o peludo para que ele saiba se comportar diante de pessoas, e também saiba se comportar nas situações de ausência de pessoas.

*** Por Juliana Nishihashi, Adestradora e Consultora Comportamental da Cão Cidadão

 

Por que os cachorros adoram dar beijo?

O Toddy é de longe meu filho mais beijoqueiro
O Toddy é de longe meu filho mais beijoqueiro

 

A maioria dos dogs adora dar beijo ou bezucão, como curto dizer. Por essa atitude, leia-se aquelas gostosas lambidas que eles dão na nossa boca e rosto. Claro que a primeira avaliação que fazemos desse comportamento é de que se trata de uma demonstração de carinho. Afinal, vamos confessar, a gente adora dar uma humanizada ao avaliar o comportamento dos nossos peludos, mas, na verdade os deliciosos bezucões têm uma explicação científica interessante, que vai além do amor que eles sentem por nós.

Lendo o ótimo livro “Super Interessante – A Mente do seu Cachorro”, da Luiza Sahd, descobri que esse hábito tem origem na ancestralidade dos cães. Estudando os caninos selvagens, os pesquisadores da Universidade da Califórnia descobriram que os filhotes de lobos, coiotes e raposas lambem o focinho das mães quando elas voltam da caçada. Eles fazem isso para provocar náuseas na mommy deles e comerem o que elas regurgitam. Ecaaaa!

Mas, você deve estar se perguntando, o que isso tem a ver com os beijos dos cachorros nos humanos? Ocorre que as nossas bocas são muitos saborosas para os cachorrinhos, assim como os lobos e os próprios humanos, eles possuem receptores de sabores doces, salgados, amargos, azedos e até terrosos. Aliás, entre os gostos mais atraentes estão os doces, que também pode ser explicado pela evolução. É essa sensibilidade que faz os bichos distinguirem uma fruta madura de uma que ainda não pode ser comida.

Outra comportamento interessante que aliás acontece muito aqui em casa é que os danadinhos preferem as bocas que contêm mais sabor. Explico. Eu e o meu marido fumamos, porém ele fuma muito mais do que eu, então, se eles forem escolher uma boca, vão preferir a minha, já que o cigarro tira boa parte do odor natural dos alimentos.

Bezucão do Toddy

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Bezucão do Toddy

Uma explicação adicional é que o bezucão também é uma forma de cumprimento ritualizado. Serve para dizer um “oi” e também para recepcionar um outro cão que volta à casa, e assim descobrir o que o outro andou fazendo na rua. Essa última explicação é muito verdade, o Toddy sempre lambe a boca da DJ quando ela volta dos passeios *rs*. As próprias cadelas também lambem as crias quando ficam longe por algum tempo. Ou seja, em resumo, o peludinho está sim demonstrando que gosta e confia em você quando te beija.

Falando de pastores alemães 

O lindo pastor alemão. (Crédito: Anthony Beux Tessari/Wikimedia Commons)
O lindo pastor alemão. (Crédito: Anthony Beux Tessari/Wikimedia Commons)

Há 15 dias o Fantástico, da TV Globo, fez uma reportagem mostrando um “violento ataque de cães furiosos e descontrolados a um pedestre”, com o intuito de demonstrar qual era a forma correta de se proteger em caso de ataques de cães. Nesta reportagem, os cães pastores alemães foram retratados como animais perigosos, selvagens, praticamente máquinas letais prontas para o ataque.

Aqueles que , como eu, são amantes da raça e entendem o básico a respeito de comportamento animal, podem dizer absolutamente o contrário: cães pastores alemães, apesar de cães fortes e potentes, têm o potencial de ser o oposto do que foi mostrado: cães com alto grau de concentração, bastante focados, aptos a trabalhar lado a lado com o ser humano e interagir com ele de forma muito amistosa e afetuosa. 

Aliás, as características descritas acima podem representar muito bem qualquer raça, inclusive nossos ilustres vira-latas, levando em consideração a forma com que os cães são criados e educados. Qualquer cão tem potencial para ser uma “arma letal” e também para ser “o melhor amigo do homem”. Uma mistura de temperamento do indivíduo, genética e principalmente sociabilização e educação é que vão ajudar a determinar se o cão será um risco ou um amigo dentro de casa.

Eu e Ava, que já foi pro céu dos cachorrinhos
Eu e Ava, que já foi pro céu dos cachorrinhos

A reportagem polêmica esqueceu de mencionar que o pastor alemão, apesar de sua “má fama” – talvez endossada pela imagem de cão policial, somente capacitado para o ataque – foi criado para ser um versátil cão de trabalho. Quando desenvolvida por Max von Stephanitz, no século XIX, foram cruzados vários tipos de cães pastores, para que surgissem no pastor alemão o maior número de qualidades possível: robustez, força, agilidade, faro, entre outras. Não é incomum vermos pastores alemães trabalhando como cães de faro, tanto no resgate de pessoas como na busca a entorpecentes, cães de pastoreio, cães de companhia, e, por que não, cães de guarda. 

 

As cores do pastor alemão
As cores do pastor alemão

O temperamento desejável do pastor alemão aponta um cão equilibrado, firme e atento, mas como já disse anteriormente, não é somente temperamento que definirá como o cão se comportará. Dizer que o cão dessa raça deve ser de uma ou outra forma é negar que dentro da raça existem indivíduos diferentes, com suas características próprias. Se dentre os exemplares, um ou outro cão demonstra comportamentos indesejados, como agressividade, reatividade ou medo em excesso, certamente a sociabilização e o treinamento precoce não foram feitos da forma adequada. Isso com certeza não define a raça. 

Então, para todos aqueles que se assustaram com a imagem retratada na reportagem, e passaram a atravessar a rua ao verem um cão pastor se aproximando, não se preocupem: este cão, tão belo e altivo, tem muito mais a oferecer do que força e um ataque potente – o pastor alemão, bem criado e bem educado, pode ser um ótimo defensor, trabalhador, e principalmente, um maravilhoso e afetuoso companheiro.

*** Por Juliana Nishihashi, Adestradora e Consultora Comportamental da Cão Cidadão

Feliz Dia dos Pais!

Nesse Dia dos Pais, a família Meu Filho Cão faz uma homenagem a seres maravilhosos: os pais de cachorros. Homens que se dedicam e demonstram afeto e carinho aos seus peludinhos todos os dias. Cuidam, alimentam, brincam e dão o exemplo que deve ser seguido por todos.

Para essa homenagem, pedimos aos fãs do MFC no Facebook que enviassem fotos dos pais com seus peludinhos. O resultado foi incrível, mais de 80 imagens chegaram, uma mais fofa que outra. Criamos, então, um álbum com todas essas fotos. Está lindo, aproveitem, compartilhem o amor <3

O único defeito de um cão é ter a vida muito curta

 

Nessa última quinta, dia 9 de julho, passei pela primeira vez pela experiência de perder um filho cão. O Ozzy, meu peludinho mais velho, foi para o plano superior após sofrer uma forte convulsão. Não há palavras para descrever a dor de se despedir de um cachorro, tristeza, amargura e uma saudade antecipada foram foram os primeiros sentimentos que tomaram o meu coração. Depois, aos poucos, você começa a assimilar melhor a situação e é confortada pela certeza de que fez o melhor por ele até o último minuto.

O Ozzy já vinha bastante doente havia alguns meses. Eu contei no post “Quando a velhice chega” que ele passava por um tratamento intensivo para melhorar a função renal. Na última quarta, porém, ele sofreu uma forte convulsão muito provavelmente, segundo os veterinários, provocada por um excesso de creatinina no sistema sanguíneo. Quando os rins não estão funcionando bem a filtragem da creatinina é comprometida. Isso quer dizer que boa parte da enzima produzida não será excretada na urina, permanecendo no sangue. Altos níveis de creatinina podem ocasionar, então, uma convulsão.

Ele foi prontamente atendido no hospital veterinário da Universidade Metodista e passou por procedimentos para reverter a convulsão. Foi sedado, mas após algumas horas, quando saiu da sedação, os veterinários concluíram que ele voltou a convulsionar. Transferido para um hospital 24 horas, o Ethicus, em São Caetano, foi novamente medicado, mas infelizmente todas as funções do organismo já estavam comprometidas e ele partiu por volta das 14 horas de ontem.

O Ozzy na nossa família – Como falei acima, o Ozzy foi meu primeiro cachorro. Lembro-me claramente do dia em que eu e a minha irmã chegamos em casa com aquela bolinha dourada no colo, apresentando-o como novo membro da família. Inicialmente mal visto, logo ele se tornou o xodó da casa. Dormia no quarto, ganhava milhares de Biscrocks, tinha brinquedos, passeava. Recebia tudo o que um peludinho tem direito.

Ele sempre teve algumas doenças, algumas características dos cockers como otite e também hipotireoidismo e doença de pele. Nunca deixamos de tratá-lo e, seguindo a obrigação que todos os tutores têm, prolongamos a vida dele com a melhor qualidade possível.

Infelizmente, porém, eles se vão muito cedo e ontem concluí que máxima está certa:  “O único defeito de um cão é ter a vida muito curta”.

*** Leia aqui a biografia do Ozzy <3