Famílias levam seus filhos cães à festa da Estopinha

A anfitriã Estopinha <3 (Crédito: Francine Nagata)
A anfitriã Estopinha (Crédito: Francine Nagata)

Várias pessoas me pediram e decidi, então, fazer um relato sobre a festa da Estopinha. A balada canina para mais de 400 “aumigos”, entre humanos e cachorros, rolou neste domingo (23) na Casa 92, na Zona Oeste de São Paulo, para comemorar as 1 milhão de curtidas que a página do Facebook da famosa vira-latinha já recebeu. Eu fui de forma voluntária para fazer a cobertura jornalística e distribuir a nota para a imprensa. Nada mais justo pois se tratava de um evento beneficente. Todo o lucro obtido de R$ 6 mil foi doado ao abrigo Anjinhos de 4 Patas, mantido pela ONG Ampara Animal.

Gente, posso dizer o que mais me chamou a atenção foi perceber que, realmente, hoje há muitos humanos que consideram seus cachorros verdadeiros filhos. Eles os tratam com toda dedicação e querem interagir com outros pais e mães de peludinhos em eventos como o da Estopinha, feitos especialmente para eles. Conversei com alguns convidados e o discurso que ouvi foi igual: meu cão é como um filho. “A Ruth Marie é tudo para mim. Foi por causa dela que superei um momento difícil da minha vida”, afirmou a Raquel Almeida, mãe de uma simpática dachshund.

Outro aspecto bacana da festa foi perceber que as pessoas acreditam que a Estopinha, hoje certamente a maior celebridade canina brasileira, ajuda a incentivar a adoção de cachorros SRDs, inclusive aqueles que têm algum problema, seja físico ou de comportamento. Para quem não sabe, a Estopa foi adotada pelo Alexandre Rossi, zootecnista e especialista em comportamento animal, em um abrigo após ser devolvida duas vezes. Os antigos donos alegaram que não conseguiram lidar com ela. O Alexandre queria uma companheira com muita energia, escolheu a vira-latinha e com bastante treinamento canalizou toda a disposição dela para um comportamento positivo. Posso garantir, a Estopinha é uma lady. Recebe todo tipo de ser, humano ou animal, com muita educação e disposição.

A advogada Pollyana Mayer que tem três cachorros, inclusive um idoso deficiente, compartilha dessa opinião. Ela diz que tem observado um aumento de adoções de SRDs, inclusive por pessoas que têm renda para comprar um cachorro de raça. “Moro perto do Morumbi e, de uns tempos para cá, tenho visto por lá muito mais pessoas passeando com seus vira-latas”, contou.

Sucesso da festa – Na minha opinião, muito sucesso da festa, sem acidentes entre os cachorros e humanos, deveu-se à organização. No evento havia vários adestradores da Cão Cidadão, empresa do pai da Estopinha, para administrar e socorrer, caso acontecesse algum problema.

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A balada canina bombou (Crédito: Francine Nagata)

Outra coisa bacana foi limitar o número de cachorros, pelo que eu pude contar, havia mais ou menos 1 cachorro para cada 3 humanos e também o porte dos bichinhos, só podiam entrar cães de até 15 kg. Não que eu esteja dizendo que não dá pra fazer festa para cachorros grandes. Lógico que dá. Eu mesma queria ter levado o Toddy, meu cachorro mais festeiro, mas misturar diversos portes em um local fechado, realmente, pode dar briga séria.

Além disso, a Cynthia Macarrão, mãe da Estopinha e organizadora do evento, conseguiu o apoio de diversos fabricantes e prestadores de serviços da área pet. Os donos puderam distrair seus filhos cães com a Dog Beer, uma cerveja para cachorros que olha deve ser tão boa quanto a de humanos. Trouxe uma garrafa para os meus peludinhos e eles, simplesmente, amaram. Depois até quero fazer uma matéria sobre ela. Tinha também o Ice Pet, que é um sorvete canino. Ganhei algumas unidades e depois conto para vocês se os meus filhos aprovaram. Por lá, deu para ver muitos peludinhos se deliciando.

Nossa, foi, de verdade, bem legal. Torço para que outras empresas e organizações ligadas ao universo pet promovam mais eventos como esse. Aproveito para deixar meus parabéns à Cynthia e ao pessoal da Cão Cidadão pela organização da festa. Um exemplo a ser seguido!

O desaparecimento de Zôe e a importância da identificação

Um dos panfletos sobre o desaparecimento de Zôe
Um dos panfletos sobre o desaparecimento de Zôe

Pode-se afirmar que Zôe teve sorte na vida ao encontrar alguém que a acolhesse. A legítima vira-lata apareceu no portão da Marcia Cappi, assessora de capacitação em saúde, para brincar com as outras cadelas que ela já havia adotado e acabou também entrando para a família.

Essa bonita história, que começou em janeiro de 2011, transformou-se em pesadelo pouco mais de um ano depois. Em abril de 2012, a mãe de Zôe, então com dois anos, resolveu levar a filha a um veterinário na Zona Leste de São Paulo para um hemograma juntamente com outra cachorra de rua que seria castrada.

Marcia explica que como mora em Guarulhos, cidade da região metropolitana de São Paulo, sempre aproveitava a viagem ao vet para levar, ao menos, duas cachorras. “Era véspera de feriado de Páscoa, eu trabalharia só meio período, então, o combinado era deixar na clínica de manhã e pegá-las à tarde”, conta.

Após um hora, veio a notícia desesperadora, Zôe havia fugido pela janela do banho e tosa e não conseguiram alcançá-la. “Eu nem tinha chegado ao meu trabalho e voltei para a clínica na hora”, diz.

Outro panfleto distribuído
Outro panfleto distribuído

No dia do desaparecimento, a mãe de Zôe andou de carro por toda região do córrego onde disseram que a cachorra havia pulado. Chegou até a entrar e andar por 3 km. O feriado inteiro foi de buscas. Ela também distribuiu cerca de 15 mil panfletos e informou o desaparecimento em vários sites e páginas do Facebook. Após um ano, até conseguiu uma reportagem sobre Zôe na TV Record.

Márcia admite que aprendeu da pior forma possível a importância da plaquinha de identificação. Hoje ela mantém seus seis cachorros com coleira e identificados. “Somos nós que temos que nos antecipar às possibilidades de fuga. Muitos casos são de cães que saem para dar a famosa voltinha e certo dia não voltam”, diz.

Quanto custa – Numa rápida busca no Mercado Livre por “plaquinha de identificação gravada”, dá para encontrar produtos a partir de R$ 9,90. A placa de metal também é facilmente encontrada em pet shops, até nos menores.

Se você não quiser comprar a placa, uma alternativa é usar aqueles chaveiros plásticos que têm etiqueta de identificação. Claro, você também terá de comprar uma coleira de pescoço, mas o investimento vale a pena. Acreditem.

Identificação é fundamental para a segurança
Identificação é fundamental para a segurança

Baseada na terrível experiência, Marcia dá outras dicas para os pais e mães de cachorro como, por exemplo, redobrar a atenção durante eventos com fogos de artifício. “Nas festas de fim de ano, por causa dos rojões, muitos animais acabam escapando de casa, fugindo por desespero. Não adianta, temos que protegê-los”, afirma.

Ela também dá um alerta aos donos de cães das raças yorkshire, lhasa apso, shih tzu e maltês. “Tem aumentado o número de roubos. Se o quintal da casa for de fácil acesso, evitem deixar o peludo sozinho”, ressalta.

E, caso o pior aconteça, a mãe de Zôe aponta alguns mecanismos de buscas que podem funcionar. No Facebook, ela indica as páginas Peludos Desaparecidos, Cães Achados ou Pedidos e Pets Achados & Perdidos. Entre os sites: Procura-se Cachorro, Procure 1 Amigo, Cachorro Perdido e PetPista.

Outras duas recomendações são contratar um carro de som, que, segundo Marcia, dá mais certo logo após a fuga e até um detetive. “Quando eu liguei para um, após três meses do desaparecimento, ele me perguntou a raça e há quanto tempo tinha desaparecido. Ele, então, disse que era muito difícil encontrar. E eu respondi: ‘Para Deus, nada é impossível'”.

Após dois anos, ela ainda não perdeu a esperança. “Em abril de 2014, já são dois anos sem minha Zôe. E eu não desisti de encontrá-la”.

A gente também não, Marcia, e torce muito para que você volte a ter a sua filha.

Perfis dos meus filhos cães

Por sugestão da Claudia Silveira, amiga e leitora, publiquei a história dos meus quatro filhos cães: Ozzy, DJ, Toddy e Theo. Lá no comecinho do blog já havia escrito um post com um pequeno perfil de cada um. No entanto, realmente, essas informações tinham ficado perdidas, e eles mereciam bem mais. As páginas vão ficar do lado direito da página, na seção “Meus filhos cães”, mas se você já quiser conferir as histórias dos meus peludos, deixo aqui embaixo o link de cada um dos perfis.

Ozzy

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O primogênito, que chegou de repente e virou o companheiro do vovô.

DJ

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Minha única menina que estava bem doente quando foi resgatada

Toddy

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O galã que faz sucesso por onde passa

Theo

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O caçulinha medroso

Jim, um cachorro idoso que teve a sorte de ser adotado

O Jim!
O Jim!

São cerca de 20 milhões de cães perambulando pelas ruas do Brasil, diz a Organização Mundial da Saúde. E apesar de estarmos evoluindo na conscientização sobre a importância da castração e as vantagens de se adotar um animal abandonado, muitos morrerão antes de chegar à idade adulta. Bem, se as chances de um adulto ser adotado são pequenas, qual é a probabilidade de um cachorro idoso encontrar um lar? Não achei nenhuma estatística sobre isso, mas, pela experiência relatada por centros de zoonoses e ONGs, ela é quase nula. Pois um cachorrinho do meu bairro, na Zona Sul de São Paulo, foi na contramão das estatísticas e teve a sorte de ser resgatado.

A história desse cão, que foi batizado de Jim, começa a mudar no final da tarde de 20 de dezembro do ano passado. Deitado em um colchão de solteiro no final de uma rua sem saída, ele foi avistado pela minha vizinha Maria Aparecida Iesbik , mãe de outros dois legítimos vira-latas: o Ozzy e a Miucha. “Quando vemos um cachorro perambulando pelas ruas, a primeira coisa que nos vem à mente é o abandono, embora num primeiro momento preferimos acreditar que não, ele pode estar perdido. Então, seguimos nosso caminho e ele segue o dele, mas esse não estava por aí, ele já se encontrava prostrado”, diz Maria Aparecida.

Nos dias que se seguiram, o cãozinho continuava no mesmo lugar, e no dia 23 já com o coração apertado, ela tomou a decisão, no dia seguinte iria resgatá-lo. Assim foi feito, com uma coleira e umas folhas de jornal, conseguiu pegá-lo e não houve resistência. “Veio comigo numa boa, olhar triste e rabo entre as pernas”, conta.

As costas do cachorrinho já quase não tinham pelos, e Maria Aparecida imaginou que se tratava de sarna, mas eram pulgas, inúmeras. “A veterinária diagnosticou alergia à picada de pulga que, aliás, ele tinha pra quem quisesse ver”. Ainda na consulta duas informações que surpreenderam: o cão tem por volta de 12 anos e sofre de sopro no coração. “Os dentes dele estão muito ruins, não é castrado e tem sopro no coração. Todas essas informações me deixaram um pouco apreensiva, mas em nenhum momento eu senti arrependimento. Faria tudo de novo”, afirma.

Logo que chegou em casa, o peludo precisou ficar isolado por causa das pulgas e também por orientação da veterinária, pois como veio das ruas e não havia histórico, poderia ter alguma doença incubada. A adaptação com os outros dois foi relativamente tranquila, diz a mãe. “Eu não dei muita importância para comportamentos hostis, deixei que eles se entendessem sem me envolver muito, mas estava sempre alerta a qualquer imprevisto”.

O sortudo ganhou o nome de Jim Morrison para seguir a linhagem dos cães musicais de Maria Aparecida. Após dois meses, o peludo já fez vários exames e está em tratamento para controlar o sopro e tentando ganhar um pouco de peso. “Resgatar um cachorro das ruas em estado crítico, é enobrecedor, não importa se ele é novo ou velho. Penso que me tornei uma pessoa melhor e o Jim é extremamente grato, muito companheiro, dengoso e adorável”, completa.

Ela diz admirar o trabalho dos protetores de animais, mas ressalta que muito do sofrimento dos bichos poderia ser amenizado com mais campanhas de castração. “Muitas pessoas fazem isso. Você mesma, com seu esposo, já resgatou três. Existem os protetores de animais que não medem esforços e saem atrás de denúncias a respeito de maus tratos e abandono. Eu admiro muito esse trabalho, mas isso poderia ser amenizado e a vida desses protetores seria mais tranquila se não houvesse pessoas que maltratam e abandonam animais. Uma coisa muito importante são as campanhas de castração que deveriam ser mais efetivas. É preciso conscientizar a população que maus tratos e abandono são atitudes desumanas. Dizer que é crime põe medo nas pessoas, pois é associado com cadeia, polícia, leis. Isso, para mim, não dá resultado efetivo. Veterinários, centros de zoonoses, protetores, precisam se organizar para mudar esse quadro que ainda é bastante grave”, afirma.

Estou com você, Maria Aparecida, castração é a solução mais viável, e parabéns ao Ozzy, à Miucha e, especialmente, ao Jim. Cães de sorte, certamente.

Sites com banco de dados ajudam a adotar um novo filho cão

Página da ONG Clube dos Vira-Latas
Página da ONG Clube dos Vira-Latas

Na última semana, o jornal “O Estado de S. Paulo” publicou uma matéria sobre um site de adoção de animais inspirado em agências de namoro. No AllPaws.com, o interessado em adotar um peludinho nos EUA tem acesso a características que vão além do tamanho, raça e cor do animal. Há dados sobre o comportamentais e aspectos detalhados de sua fisiologia. É possível, por exemplo, saber tanto do comprimento da pelagem do cão, quanto se ele se dá bem com crianças e, no dia a dia, prefere brincar no chão ou passar o tempo no colo das pessoas.

A ideia é excelente, e não temos nada parecido no Brasil, mas já há alguns sites onde é possível fazer uma seleção, mesmo que mais básica. Um deles é o do Clube dos Vira-Latas. Nele, os cachorros estão divididos da ONG por tamanho, que vão do PP ao GG.

Já o Procure 1 Amigo tem uma busca mais detalhada. Você pode filtrar os bichinhos por cidade, se quer cão ou gato, por tamanho, sexo e idade. O site reúne peludinhos de mais de 80 ONGs da capital paulista, Grande São Paulo e interior de São Paulo.

Outro site que possui uma busca por tipo de cachorro é o Adotar é Tudo de Bom, da Pedigree. Lá é possível buscar cachorros em vários estados, e também selecionar por porte, idade, sexo e idade. Ainda há uma área da busca bem legal, onde você pode selecionar um bichinho com alguma deficiência. Lindo, né? 🙂