Seu cachorro come cocô? Saiba como resolver o problema

dog-and-poop-silhouette_318-56935Dia desses uma amiga me contou que uma das suas cachorrinhas não tinha nenhum problema de comportamento, a não ser comer cocô :-S. Bem, pode não ser a pior das situações, mas vamos combinar que não deve ser nada agradável ver seu cachorro comendo cocô. Como nunca enfrentei essa situação com os meus peludinhos, nunca havia pesquisado sobre o tema, então, para ajudá-la, fui à caça do que dizem os livros que tenho sobre o assunto.

O melhor artigo que achei foi da treinadora Cláudia Pizzolatto no livro “Manual do Cachorro – um Guia Prático de Solução de Problemas”, que lista uma série de situações que podem desencadear o problema e também dá algumas sugestões de como resolvê-lo.

Dicas para o cachorro parar de comer cocô

Vamos, então, juntar as soluções aos possíveis motivos que podem causar esse mau comportamento, que é chamado pelos especialistas de coprofagia:

– A primeira dica que a Claudia Pizzolato dá é alimentar seu cachorro adulto pelo menos duas vezes por dia com uma ração de boa qualidade. Se você tiver mais de um bichinho, alimente-os em pratos separados e se certifique que todos estão tendo oportunidade de comer direito.
A treinadora explica que quando mais de um cachorro é alimentado ao mesmo tempo, muitas vezes no mesmo prato, o cachorro dominante pode impedir o submisso de comer. Esse último passa fome e tem de recolher as fezes do cão dominante para não passar fome.
A qualidade do alimento também pode acarretar esse tipo de mau comportamento, peludinhos com dietas pobres em fibras e proteínas tendem a buscar essas substâncias no cocô de outro cachorro. Estudos mostram ainda que alimentar o cachorro apenas uma vez por dia em grande quantidade não é recomendado já que os nutrientes não são absorvidos direito, passando direto para as fezes. Sentindo-se mal nutrido, o bichinho acaba voltando às próprias fezes para se alimentar.

Procure manter o jornal ou tapete higiênico do seu cachorro sempre bem limpinho. Se possível, também observe quando ele for ao banheiro e crie uma rotina para distraí-lo assim que ele fizer cocô. Quando ele acabar, chame-o para outro cômodo, dê um biscoitinho e limpe o banheiro dele sem que ele veja. Pode parecer inacreditável, mas alguns cachorros acabam imitando a limpeza que o dono faz comendo as próprias fezes para não deixar seu banheiro sujo.

Não brigue com o seu cachorro caso ele tenha feito cocô no lugar errado sem que você tenha visto. Sabem aquele hábito antigo e condenável de esfregar o focinho do cachorro no cocô? Além de ser violento, pode acabar desencadeando o mau comportamento. O cachorro recolhe as fezes, até do seu próprio banheiro, com medo de levar uma bronca. Caso você consiga flagrar o peludo se preparando para se aliviar no lugar errado, diga um sono “não”, leve-o imediatamente ao banheiro dele e recompense bastante com petisco, festa e carinho assim que ele fizer a caca no lugar certo.

– Se você acha que nenhuma dessas situações se aplica ao seu peludo, leve-o ao veterinário para um check-up e se for preciso submeta-o a um exame de fezes. Também mantenha o seu bichinho sempre livre de vermes, administrando o vermífugo de acordo como orienta o profissional.

Conheça os materiais do adestrador

Toddy com a coleira cabresto
Toddy com a coleira cabresto

 

No artigo anterior falei sobre problemas no passeio, como cães que puxam, e percebi que surgiram algumas dúvidas sobre a coleira que o Theo está usando na foto que ilustra o post. Então, fiquei pensando que muitos itens de treinamento ou acessórios caninos que são tão comuns para nós adestradores, podem não ser para as pessoas em geral, e mesmo para os tutores de cães!

Já tinha intenção de fazer uma série de posts falando sobre produtos interessantes para cães e para o adestramento, então vou iniciar agora, “desmistificando” alguns dos objetos incomuns utilizados pelos treinadores de cães.

Vou começar com o item que iniciou o post:

Screen Shot 2015-06-13 at 8.18.57 PMColeira cabresto
O que é: Uma coleira que se baseia no cabresto usado para conduzir cavalos, seres fortes e um tanto “geniosos” quando querem chegar a algum lugar! O princípio é conseguir conduzir o animal sem fazer força, simplesmente virando a cabeça dele para o lado que se deseja ir.

O que as pessoas acham que é: Uma focinheira ou simplesmente uma “amarra” na boca do cão, utilizada para fechar o focinho do cão ou conter cães agressivos e impedí-los de morder. Algumas pessoas, ao verem o cão dócil usando essa coleira podem estranhar o uso da “focinheira” sem razão, daí a confusão sobre seu uso.

Por que esse produto é interessante: Conduzir um cão grande ou obstinado sem fazer força é o ideal de um bom adestrador, e também um sonho para muitos tutores. A coleira cabresto, quando bem indicada, serve a esse propósito. Ela é indicada sim para cães agressivos, mas não por fechar a boca do cão, e sim para poder conduzí-lo para longe do estímulo sem precisar machucar ou forçar. Muitos cães com colapso de traqueia ou outra afeccção no pescoço podem usar essa coleira se for necessário, pois ela não força a região. Outro motivo dos adestradores que usam técnicas positivas de treino utilizarem é que ajuda nos exercícios onde o cão precisa prestar atenção no treinador, pois é mais fácil conduzir a cabeça do cão para cima, facilitando também a entrega do petisco como recompensa!

20_pet_corrector_productFerramentas para bronca – Pet Corrector
O que é: um spray de ar comprimido, que quando acionado, emite um som de “chiado”. É utilizado por treinadores ou tutores que permitem o uso de punições no treinamento do cão (pois existem vertentes do adestramento que não utilizam nenhum tipo de punição).

O que as pessoas acham que é: uma solução instantânea para problemas de comportamento, basta uma borrifada todas as vezes que o cão tem o comportamento errado, que logo o problema estará solucionado e o cão não mais apresentará o comportamento indesejado. Algumas pessoas acreditam que o uso desse produto dispensa o adestramento, ou que se aplica a todo e qualquer problema comportamental, bem como qualquer cão.

Por que esse produto é interessante: O spray de ar comprimido pode ser uma boa solução nos treinamentos onde é necessário o uso de uma bronca despersonalizada – aquela que não deve ser associada a uma pessoa. Como o barulho é alto e não direcionado, o spray pode ser facilmente escondido do cão, sem que ele perceba que uma pessoa o acionou. Porém, ele não é infalível e muito menos milagroso: o treino com essa punição só funcionará se o cão aprender antes um comportamento diferente do que está sendo punido. Senão, a vida do cão passará a ser borrifada atrás de borrifada, até que em pouco tempo, ele se tornará totalmente insensível à ela. Ou pior, se for um cão sensível, esse excesso de broncas deixará o cão em pânico. Portanto, é uma ferramenta válida no caso de treinos com broncas, mas é secundária, pois o cão precisa aprender o que queremos dele antes de ser punido por um comportamento errado.

what-is-clicker-trainingClicker
O que é: Um aparelho de plástico com um botão metálico, que quando pressionado emite um som como um “click”, utilizado no treinamento baseado em recompensas, com os mais diversos animais.

O que as pessoas pensam que é: Uma ferramenta que, sozinha, muda o comportamento do cão, ensinando-o o que deve fazer. Muitas pessoas acham que o som do clicker é um “comando” ao qual o cão obedece, e por isso se comporta. Já vi casos de pessoas que compraram o clicker achando que se clicassem vezes o suficiente quando o cão estava fazendo algo corretamente, o cão compreenderia imediatamente e passaria a se comportar naturalmente.

Por que esse produto é interessante: O clicker é uma ferramenta “científica”; ele não funciona de forma automática, mas precisa ser condicionado. De forma resumida, para que o clicker consiga “ensinar” bons comportamentos aos cães, seu som deve ser associado com uma recompensa alimentar – ou seja, sempre que ouvir o som do clicker, o cão deve receber um petisco. Quando o cão já tiver entendido esse conceito, podemos passar a usá-lo para ensinar coisas: quando o cão se sentar, ouvirá o clicker e receberá o petisco; dessa forma, o bichinho passará a se sentar mais vezes e com mais facilidade, pois sabe que sempre que tem esse comportamento, ouvirá o som e receberá o prêmio. O mesmo com outros comportamentos. Por isso o clicker não é mágico, e sim simplesmente um marcador de acerto e recompensa. Ele deve ser usado quando um comportamento correto acontece, para avisar o cão, e não para causar um comportamento correto. É uma ferramenta relativamente difícil para um tutor usar sozinho, por isso, o principal é lembrar de recompensar – elogiando, fazendo carinho, dando petisco, brincando – quando o cão se comportar.

Nos próximos posts, vou falar mais sobre outros produtos, seus usos, funcionalidades, mitos e verdades. A ideia é os tutores conhecerem melhor o que existe no mercado pet, e também entenderem melhor as ferramentas usadas por nós profissionais.

*** Por Juliana Nishihashi, Adestradora e Consultora Comportamental da Cão Cidadão



Hora do passeio! Diversão ou… tortura?

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Para passear, o Theo usa uma coleira tipo cabresto, uma das recomendo

Mas o pior é que para muitos tutores isso é verdade. Só de pensar em passear com o peludo, já sentem dor no braço, nas costas, a palma da mão queimando da guia, os puxões, etc. Haja condicionamento clássico nessa hora!

(Explicando o que é isso, pois isso vai ajudar a entender os problemas de passeio: de forma simples, condicionamento clássico acontece quando duas situações distintas, mas que acontecem ao mesmo tempo, acabam disparando uma reação automática do ser – pessoa ou animal – um “reflexo condicionado”)

Então, o que podemos fazer para treinar o cão e tratar os problemas no passeio – e enfim, mudar esse condicionamento, de algo terrível para algo prazeroso?

Primeiro, não vamos treinar o cão quando ele já está totalmente fora de controle. Uma adestradora que gosto muito diz a seguinte frase: “Não dá pra gente ensinar álgebra numa montanha-russa”. Ou seja, não dá pra tentar ensinar nada para alguém durante uma situação tensa, estressante, estimulante. Precisamos começar do básico, do mais fácil pro mais difícil. 

Comece em casa – Vamos começar diariamente, dentro de casa e mostrando pra cachorro como o passeio deve acontecer: de coleira e guia, posicione o cachorro do seu lado, onde a guia esteja frouxa (não tensione nem encurte a guia); dê dois passinhos, e se o cachorro acompanhar com a guia frouxa, dê um petisco para recompensar. Começe na sala, vá até a cozinha, se ele continuar focado em você e no petisco, começe a ir para fora. Se ele ficar muito excitado, retroceda. Esse passo vai ensinar para o cão duas coisas importantes: a posição que ele deve ficar durante o passeio, e que não há motivos para ficar totalmente descontrolado cada vez que coloca a coleira, pois essa é uma situação totalmente calma e corriqueira. 

Lembra do condicionamento clássico? Ele aparece nesse passo inicial do passeio, ou seja, na saída. O cão já está tão condicionado a sair maluco e puxando a guia no passeio, que só de vestir (ou olhar!) a coleira, já fica doidão e sai do controle. Por isso, esse passo precisa ser feito com paciência, para começarmos a alterar o comportamento.

Realizado esse passo, passamos agora para a rua – horário calmo, sem muitos estímulos. Faça o mesmo processo acima, só que agora vai ser mais complicado, pois na rua há mais distrações. 

Por isso, o ideal é treinar com o cão num momento onde ele esteja com apetite e levando um petisco irresistível. Use o horário da refeição e a própria ração, por que não? 

Já na rua, se o cão começar a puxar para chegar em algum lugar, use a frustração – simplesmente pare imediatamente de andar. Dica importante: cole a mão que segura a guia junto ao corpo, assim, quando parar de andar, o cachorro não vai ganhar nem um centímetro a mais do seu braço sendo esticado! Será ainda mais frustrante para ele realizar o puxão. 

Aguarde o cão se tocar: “Pô, que saco! Por que ele parou?”. Quando o cão afrouxar a guia, olhando de volta para você, volte a andar. Se ele não se tocar, dê uma ajuda – bata na perna, chamando-o e colocando-o de volta na posição certa, e aí continue o passeio. Outra dica boa é simplesmente virar para o lado oposto ao que o cão puxou. Teste e veja o que funciona com o seu cão, pois não tem “receita de bolo” que funciona igual para todos nessa hora.

Quando o cachorro estiver andando do seu lado com a guia frouxa, ELOGIE MUITO!! Fale com ele, dê o petisco, e deixe que ele faça algo que goste muito – cheirar uma moita, marcar com xixi, cheirar outro cão, brincar com uma pessoa. É desta forma que nos desvencilhamos do petisco como recompensa, usando reforços ambientais (a médio prazo, ok? No começo, 

No começo, o “passeio” vai ser super curto, pois será mais um treino do que lazer. 

Outras orientações muito importantes que precisam ter em mente ao passear com um cão:

Use as ferramentas adequadas. Muitas vezes o treino não dá tão certo por conta das ferramentas. Minha coleira favorita é a peitoral de treino: ela controla o cão sem enforcar ou apertar, facilitando a frustração quando o peludo puxa, pois a guia prende na frente então nas costas. Outra que gosto muito é o cabresto, indicada para cães fortes, que além de puxar no passeio, são agressivos – aliás, agressividade será tópico de outro artigo! AGUARDEM! Coleiras de pescoço também podem ser boas, mas em cães que puxam muito podem machucar, costumo utilizar no caso de cães mais fracos, que cheiram o tempo todo, pois não é necessário usar muita frustração ou força. Enforcadores são polêmicos, eu prefiro evitá-los pois as chances de machucar o cão são grandes, principalmente com pessoas inexperientes. As guias, sempre de material resistente, bem costuradas (não coladas!!), de 1m a 1,5m de

Preste atenção no cachorro!! Ninguém gosta de ser convidado para sair, e no meio do passeio ser ignorado pelo amigo, certo?! Acontece o mesmo com o cão: chamamos o peludo pra passear, e 5 minutos depois estamos no celular, sem olhar pro cão. É claro que ele vai puxar a guia e decidir para ir, afinal, o companheiro de passeio é um tédio! Passeio é um momento de conexão e diversão mútua, então olhe para o cão, fale com ele, elogie quando estiver educado, leve-o para cheirar e fazer xixi sem que ele precise puxar. Muitas vezes, só isso já faz o passeio ser mil vezes melhor.

Seja persistente e criterioso. O cão puxou a guia pra chegar no poste? O passeio pára e ele não consegue chegar lá. O cão está educado andando junto? Dê alguma recompensa! TODAS AS VEZES. Se formos variáveis, o cão não entenderá exatamente o que estamos ensinando.

Passeie todo dia! É muito difícil para o cachorro não ficar ansioso para sair se ele só sai 1 vez por semana! Então, uma das formas de acalmar o cão é criando a rotina de sair diariamente – e também porque assim temos condições de treinar um pouco todo dia, e porque atividade física diária é item obrigatório para o bem estar canino.

Dá um bom trabalho, mas vale a pena! Com o treino, passear com o cão vai ficar tão prazeroso, sua relação com o peludo vai melhorar tanto, que você vai ficar tão feliz quanto seu cachorro quando vir a coleira!

*** Por Juliana Nishihashi, Adestradora e Consultora Comportamental da Cão Cidadão

Os cachorros sonham?

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Theo tirando uma soneca

 

Acho que assim como eu vocês já devem ter percebido que muitas vezes durante o sono nossos filhos emitem alguns sons ou têm uns tremeliques. Bem, observando esse comportamento sempre fiquei me perguntando, será que os cachorros sonham?

A resposta para esse dúvida eu encontrei no livro que curiosamente se chama “Os cães sonham”, de Stanley Coren. E, sim, a resposta é eles sonham! Essa foi a conclusão dos cientistas partindo de algumas premissas como a de que em nível estrutural o cérebro dos cães é muito parecido com o dos humanos. Além disso, estudos verificaram que durante o sono os padrões de ondas cerebrais desses animais são muito semelhantes aos do homem e passam pelos mesmos estágios de atividade elétrica, indicando assim que os cachorros têm sonhos.

Há evidências de que os cachorros sonham com atividades caninas comuns. Os estudiosos concluíram isso a partir da análise de uma parte da estrutura cerebral chamada ponte, que impede todos nós de externarmos nossos sonhos.  Os cães só começavam a se mexer quando o cérebro entrava no estágio do sono associado ao sonho. Os pesquisadores descobriram que ao sonhar um pointer pode começar a procurar imediatamente pela caça e até apontar, um springer spaniel pode disparar atrás de um pássaro imaginário no seu sonho, enquanto um doberman pode comprar uma briga com um ladrão.

Como saber se eles estão sonhando – É muito fácil saber quando seu filho cão está sonhando. À medida que o sono se aprofunda, a respiração ficará mais regular. Depois de aproximadamente 20 minutos, um cachorro de tamanho médio, deve ter o primeiro sonho. Você reconhecerá a mudança porque a respiração ficará irregular. Pode haver contrações musculares e você conseguirá observar os olhos dele se mexendo por baixo das pálpebras. Isso ocorre porque o cão realmente está olhando para as imagens do sonho como se fossem reais.

Nem todos os cachorros possuem a mesma quantidade de sonhos. Os pequenos, como um poodle toy, podem sonhar a cada 10 minutos, enquanto um mastim a cada uma hora. A diferença é que os sonhos dos maiores duram mais tempo.

Interessante, né?

O que você precisa saber sobre filhotes

Glinis e Moti, os meus filhotes :-)
Glinis e Moti, os meus filhotes 🙂

Filhotinho é fofo e todo mundo gosta. Conquista com os olhinhos pidões, o jeito desengonçado, os pulinhos pra ganhar atenção, as mordidinhas durante a brincadeira e durante um tempo conseguem fazer tudo o que querem. Mas é só passar um tempo, e alguns desses comportamentos passam a ser extremamente desagradáveis, o que faz com que muitos tutores percam rapidamente a paciência com aquele filhotinho que antes era tão fofo e engraçadinho.

A chave do sucesso pra lidar com filhotes é ter limites, regras e rotinas desde o início. Assim que o bebezinho chega, a gente pode fazer uma listinha (e não digo no sentido figurado não, é literalmente) das coisas que devemos ensinar ao filhote e da rotina que precisamos manter. Tudo isso dá um pouco de trabalho, mas é fundamental para não ficarmos de cabelo em pé quando o filhote começa a crescer e as dificuldades em controlá-lo aumentam – e aumentam mesmo!

Essa listinha, pra mim, deve ser composta de alguns itens básicos, como por exemplo:

Coisas para treinar diariamente
– Sociabilizar o filhote com o ambiente externo, levando-o por 10 minutos até a rua no colo e deixar que ele veja as coisas enquanto se alimenta com grãos de ração
– Treinar o filhote a usar coleira, ser penteado e examinados nas patas, orelhas, boca e barriga, sempre usando petisco ou ração para recompensá-lo
– Ensinar o filhote a brincar com seus brinquedos e não com as mãos das pessoas
– Comandos básicos: senta, deita, fica e vem (esses comandos devem ser treinados e usado sempre que o filhote for ganhar alguma coisa, seja sua ração ou um brinquedo novo)

A listinha da rotina diária eu sempre recomendo, porque muitas vezes os problemas de comportamento aparecem no filhote simplesmente porque a gente não se programou como deveria para acomodar as necessidades naturais desse filhote, como necessidade de objetos para roer, necessidade de fazer exercícios, necessidade de horário para se alimentar.

Então, a listinha da rotina diária ficaria mais ou menos assim:
7h – ração do café da manhã + caixa de papelão para destruir (pois o filhote ainda não foi vacinado e não pode passear para gastar energia)
11h – ganhar um osso ou jogar bolinha
13h – ração do almoço dentro da garrafa pet (para que ele coma se exercitando)
18h – treinar os comandos básicos com a ração do jantar (para aproveitar esse alimento e dar como recompensa aos comandos)
20h – fazer a sociabilização externa com o filhote
22h – treinar a adaptação à coleira, pente e manipulação

“Xiiii… Mas eu trabalho o dia inteiro, não tenho como brincar às 11h, ou dar a garrafa pet às 13h!” Então, faça a programação de acordo com suas rotinas, mas sempre pensando em oferecer as atividades para o cãozinho; você pode deixar a garrafa já recheada com ração num cantinho para ele descobrir durante o dia, e esconder o ossinho na caminha para ele roer quando tiver vontade. O importante é dar o que o filhote precisa.

NOSSA!! Quanto trabalho, não é mesmo? Pois ter um filhotinho em casa é o mesmo que ter um bebê humano: requer tempo, dedicação e paciência! Não podemos esquecer que o filhotinho depende totalmente da gente, para aprender o que é certo e errado e principalmente para ter interação social e atividades. Por isso, sempre explico que é utópico querer que um filhote passe pela infância com pouco contato social, sem atividades adequadas e sem o treinamento feito pelos membros da família, e ainda cresça equilibrado e educado!

Tudo depende do trabalho dos donos, das rotinas que vão ser aplicadas por eles e acima de tudo, da sua persistência e paciência. O trabalho do adestrador ou consultor comportamental é auxiliar a organizar essa rotina da melhor forma pra família, e principalmente para o filhote.

Outras dicas que acho fundamentais para lidar com a fase exploradora e destrutiva (embora adorável!) dos filhotes:
– não deixar o filhote solto na casa quando não estiver perto para supervisionar. O filhote explora, brinca e destrói, e sem ninguém para balizar seu comportamento, com certeza vai brincar com o que não deve. Deixe para soltá-lo quando estiver próximo, pra poder orientá-lo, dar o brinquedo certo e impedir que mexa nas coisas erradas.
– não ensine o filhote a brincar mordendo ou fazer “lutinha”, o que vai deixá-lo muito excitado e achando que pode brincar fisicamente com as pessoas. Depois de mais velho, essas brincadeiras passam a ser inaceitáveis, pois machucam de verdade, mas na cabeça do cachorro é assim que ele deve brincar, pois aprendeu isso na infância, e o pior, com o próprio dono!

Então, não encoraje na infância o que você não quer na fase adulta!

– ENRIQUECIMENTO AMBIENTAL, ENRIQUECIMENTO AMBIENTAL, ENRIQUECIMENTO AMBIENTAL. Não cansamos de falar dos benefícios dele! Tem até artigo no blog.
– sociabilização precoce. Vou fazer em breve um artigo que explica direitinho o que é e como fazer, mas basicamente, precisamos expor de forma gradual e positiva nossos filhotinhos, com idade entre 45 dias e 3 meses, a todos os estímulos possíveis, para que ele vá se acostumando aos poucos a todas as coisas com as quais conviverá no futuro. O segredo é fazer com segurança (levando no colo), delicadamente (em horários mais calmos e locais com menos estímulos, por pouco tempo) e positivamente (usando petiscos para recompensar).

Ter filhote dá trabalho. E muito prazer! E alegrias imensas! Mas com rotina e organização, tudo fica mais fácil, eu garanto!

*** Por Juliana Nishihashi, Adestradora e Consultora Comportamental da Cão Cidadão